quarta-feira, 27 de abril de 2011

EU TE DOU... VOCÊ ME DÁ? >> Carla Dias >>

Toma lá, dá cá é uma força da natureza. A gente doa: tempo, dinheiro, amor, sonhos etc, mas espera, sim, o retorno. Mesmo na bondade, há essa espera. Faz-se o bem esperando que aquele que o recebe se torne alguém melhor: toma lá, dá cá. Mesmo que o esperado não seja para benefício próprio, ah, a espera... Esperamos, sim, pelo feedback.

Por isso os pedidos por retorno me endoidecem. O toma lá, dá cá pode ser bacana, mas perde o charme e se torna irritante quando se transforma em exigência. Antes, esse escancaramento era apenas profissional, para quando fosse necessário lutar para conquistar o resultado almejado. Enfim, a boa e velha barganha... Ou seria diplomacia? Não sei, porque, neste aspecto, as coisas se confundem.

Hoje em dia, não há a espera pelo retorno de uma doação. Há, sim, a exigência disfarçada, como quando alguém diz que colocou seu nome em um artigo publicado em um blog qualquer, então você “tem” de retribuir incluindo o link em tudo quanto é rede social da qual faça parte, clicando em “curtir”, endossando algo que você só conhece porque colocaram seu nome lá. Não foi sua a escolha de apreciar esse espaço. Não foi o seu desejo a parar nas prateleiras virtuais.

Quando se tem um interesse em comum, até existe uma conexão, uma necessidade de troca. Mas quando usam o que você já construiu para se construir, quando o “dá cá” é inexistente, bom, não seria um opcional? Aliás, endossar algo tem de ser completamente opcional, seja lá por qual motivo.

Com a disseminação dos ícones, veio também a sensação de que, se você é incluso em algo, deve clicar e participar, senão se transformará num belo de um ingrato.

Sabe qual é a delícia do toma lá, dá cá? A surpresa... Sabe quando você faz um pequeno gesto e a pessoa lhe devolve um grande sorriso? Quando você dedica a sua vida a uma realização, e alguém se sente tocado pela sua ideia e o ajuda a realizá-la? Quando a história da sua vida vale um editorial escrito com respeito, com verdadeira admiração pelo que você construiu e quem se tornou? Quando você beija a bochecha rosada de um bebê e ele gargalha baixinho? Quando você ajuda alguém que realmente precisa, e ele volta, muito tempo depois, apenas para dizer “estou bem”?

Não clico em ícones porque sim. Não curto o que não me toca. Não devolvo o que jamais recebi. Há alguns anos, dizia a mesma coisa, mas usava aquele termo, sabe? Jogar confetes... Não jogo confetes por jogar. Quando o faço, é porque a outra pessoa merece a festa, a celebração.

Eu te dou o direito de escolha... Você me dá?


carladias.com




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6 comentários:

Fê Miceli disse...

Achei muito interessante o tema abordado por vc e nada mais é do que acontece com tds nós o temmpo td. Somos cobrados pelo que fazemos e pelo que não fazemos tb. Se a gente liga para alguém, alguém liga de volta. Agora, se não ligamos, a pessoa nunca mais liga. Tudo bem, na maioria das vezes tratamos as pessoas como elas nos tratam. Mas isso deveria ser um parâmetro. Apesar disso, deveriamos fazer aquilo que tivéssemos vontade, independente da atitude do outro. Mas pena, isso não acontece...

Adoreiiiiiiiii!!!!!!!!!!!

Bjs

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, essa foi mais uma da série "Quem aí não passou por isso?" :)

Marisa Nascimento disse...

Carla, sempre tirando preciosidades desse seu raro talento. Mas vamos combinar? Eu comento agora e semana que vem você nos dá outro texto. :)
Bjs

Carla Dias disse...

Fê... Concordo que é tema recorrente da vida de todos, mas às vezes precisamos nos lembrar disso, para não nos acostumarmos com a rédea curta das exigências descabidas. Eu acredito em bom senso, mas me rebelo quando se trata de abuso, sabe? Quando a outra pessoa quer tudo só para te deixar com nada. Beijos!

Eduardo... Isso mesmo... A coletividade do incômodo.

Marisa... Obrigada pela gentileza. E combinado! Semana que vem eu lhes dou outro texto. Beijos!

albir disse...

Carla,
mais um texto imprescindível, que me devolve generosamente até o que não enviei. Parabéns de novo!

Carla Dias disse...

Albir... Você sempre gentil com as minhas doidices literárias. Obrigada!