terça-feira, 1 de novembro de 2011

PROBLEMAS TECNOLÓGICOS >> Clara Braga

Depois que vários aparelhos eletrônicos apareceram e o mundo se tornou um mundo tecnológico, muita coisa mudou.

Por exemplo, quando se fotografava existia todo um ritual. Primeiro tinha que ir comprar o filme, decidir de quantas poses você iria querer, colocar o filme na máquina, coisa que nem todo mundo sabia fazer, e ai sim você estava pronto para começar a fotografar.

Escolhia-se muito bem o que iria ser fotografado, pois uma foto batida era uma pose a menos que você tinha no filme. E não dava para saber se a foto tinha ficado boa até que o filme fosse revelado.

A revelação era um processo literalmente mágico em que, após a aplicação de algumas químicas, a imagem começa a aparecer na superfície da folha sensível a luz, parecia ilusão mesmo! E depois que a foto estava revelada, todo mundo sentava para ver as fotos, se tinha saído bem, se tinham ficado boas, se alguma queimou e acabavam por reviver aquele momento.

Hoje em dia o ritual acontece de uma vez só: é só levar a câmera, bater, ali mesmo já olha se ficou boa ou se precisa tirar outra e tira-se novamente a foto até que todos achem que a foto ficou boa o bastante. Depois é só passar para o computador e mandar as fotos por e-mail para todo mundo que quiser! E se alguém tiver notebook na hora, esse processo também acontece no mesmo momento em que as fotos foram batidas.

Quem for antigo o suficiente para querer elas impressas, pode imprimir em casa mesmo, ou só grava no CD aquelas que ficaram melhores e manda revelar, em menos de uma hora você tem elas na mão com todos os ajustes que foram feitos no photoshop.

Ficou mais fácil, com certeza, mas, como tudo na vida, tem seus prós e contras. E algumas pessoas, por menor que seja a porcentagem, preferem não aderir a essas tecnologias. Preferem não ter e-mail, não ter que atender celular, não ter que mexer no computador e não tirar fotos com máquina digital.

Minha avó é uma dessas pessoas. Já tentou usar celular, mas não gosta, não ouve tocar, não usa, não vê lá tanta utilidade, e prefere não ter. Já pensou em aprender a mexer no computador, mas desistiu, acha que é complicado e não tem vontade. Ela também não vê as fotos que foram tiradas em máquinas digitais, e isso é um problema para a família toda! Ela vive reclamando que não tem foto dos netos para mostrar para as amigas, que as fotos do Natal ela nunca vê, que nunca mais teve nenhum registro de aniversário nem nada do tipo.

Eu, há uns anos, dei para ela de presente um scrapbook recheado de fotos dos netos, filhas e agregados. Mas só resolveu o problema durante um tempo, hoje em dia ela já não tem fotos atualizadas, como ela mesma diz. E ninguém nunca se lembra de revelar para que ela possa ver. Falha nossa, eu sei, mas minha família é realmente uma família de desmemoriados.

O problema é que, mesmo antes que eu pudesse resolver o problema das fotos, já surgiu um outro problema: eu comecei a escrever para um blog. Ela nem sabe o que é um blog, mas acredito que ache que deva ser algo interessante, já que vira e mexe alguém comenta alguma coisa dos textos que eu escrevi. E então ela sempre diz: Pois é, eu não li, não tenho computador e nem sei mexer na internet!

Eu já tinha pensado em alguma forma de resolver esse problema, mas nenhuma forma é melhor do que o livro "Acaba não, Mundo".

É isso mesmo, toda essa história de vida que eu fiz vocês lerem até aqui foi para mostrar mais um dos vários pontos que fazem do livro "Acaba não, Mundo", que será lançado aqui em Brasília nessa quinta-feira (03 de novembro), das 19:30 às 22:00 no Rayuela (412 sul), um evento tão importante. Ele significa que agora minha avó vai poder ler algumas das minhas crônicas e levar com ela para mostrar para as amigas que quiser.


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2 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Clara,
Todo sucesso e muitas emoções no lançamento aí em Brasília!!
Delícia ver o nome num livro, não é?
Comemore muito e viva o seu momento!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, isso é o que eu chamo de uma "crônica de construção perfeita". Sua avó vai amar! E espero que ela não tenha que esperar o próximo livro do Crônica do Dia para lê-la. :)