Pular para o conteúdo principal

AH, OS TROCADILHOS... >> Clara Braga

Dia quente, sol forte, um calor terrível e tudo que eu mais queria era ficar em casa embaixo do ventilador, tomando uma coca cola super gelada com bastante gelo dentro enquanto meu cérebro vai derretendo aos poucos! Mas... como murphy existe, é claro que não vai dar. Vou ter que ir na faculdade resolver problemas de matícula... Tudo bem, pior não vai ficar. É só eu sair, resolver tudo rapidinho e voltar pro conforto do meu ventilador.

Logo ao sair descubro que o elevador está quebrado, maldita hora que fui dizer que não tinha como ficar pior. Mas tudo bem, a verdade é que ninguém nunca morreu por causa de 4 andares de escadas (pelo menos não que eu saiba), e eu estou mesmo precisando me exercitar. E é como todo mundo diz, para baixo todo santo ajuda, o lance agora é rezar para que na volta o elevador já tenha voltado a funcionar.

Chego ao carro que, diga-se de passagem, não tem ar condicionado e estava no sol, já que meu prédio não tem garagem, e então entro. Em uma tentativa desesperada de me distrair e fingir que o calor não me incomodava e que o volante não queimava minha mão, eu liguei o rádio. Uma música estava para acabar e iria começar uma outra da Ana Carolina. Comecei a prestar atenção na letra até a hora que eu escuto: Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas, muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas.

Quem nunca ouviu um trocadilho tão ruim quanto esse põe o dedo aqui que já vai fechar! Não sou uma poetiza, muito menos compositora, mas vamos combinar, se ela ficasse mais uma meia hora tentando escrever essa música ela faria algo melhor. Mas tudo bem, parece que depois de um certo tempo que sua carreira já está consolidada você já não precisa se preocupar tanto com a qualidade da música que vai cantar, do contrário acredito que o Roberto Carlos não teria regravado um funk nem o Milton Nascimento não teria regravado aquela música horrível de auto-ajuda do Jota Quest. Não tenho nada contra nenhum desses artistas que citei, nem contra a Ana Carolina, mas esse trocadilho das rosas com certeza não é a melhor letra que ela já escreveu.

Enfim, resolvi tudo que eu tinha pra resolver, mas o tal do trocadilho não saía da minha cabeça. Quando cheguei em casa e descobri que o elevador ainda estava quebrado, teria mesmo que subir os 4 andares de escada, me toquei de que na verdade trocadilhos ruins é quase uma marca registrada da Ana Carolina e foi assim que subi cantando uma música dela chamada ELEVADOR: E eu subo bem alto pra gritar que é amor, eu vou de escada pra elevar a dor!

Valeu por esse momento Ana Carolina.

Comentários

Roberta Vescovi disse…
Oi convido vc a seguir meu novo blog http://robertavescovi.blogspot.com/ espero que goste comente, e fique a vontade para criticar e opinar. Com certeza é muito importante pra mim. grata. Beta.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …