segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

TUDO NOVO DE NOVO >> Kika Coutinho

Estamos em abril de 2009. Encostada na pia de um banheiro pequeno, observo um teste de farmácia, aguardando a segunda listra. Não vai aparecer, penso. Não vai aparecer, repito em voz alta, já me mexendo, destrancando a porta e, antes de sair, olho mais uma vez para o teste. Apareceu. É um milagre, digo para mim mesma, antes de gritar: Estou grávida!

Estamos, agora, em novembro de 2010. Acordo cedo e já abro o pacotinho, rebolando pra prender o xixi. Tem que ser o primeiro da manhã, penso, já com o teste em mãos. Faço meu xixi e assisto à primeira listra aparecer, enquanto penso que, claro, a segunda não vai aparecer. Tenho a impressão de ouvir minha filhota resmungar no quarto ao lado. Já está acordando, noto, enquanto olho o teste de novo. Apenas uma listra. Melhor assim, ela nem fez um ano, falo para mim mesma, enquanto deixo o teste de lado. Entro no chuveiro, tentando aproveitar o que me resta da manhã, antes que ela acorde de vez.

Imagine só, um segundo bebê, vou pensando enquanto tempero a água. Eu ia morrer. De alegria ou de pavor? pergunto-me rindo. Não sei.

Imagine só, a barriga crescendo de novo, o umbigo estufar mais uma vez, sentar de perna aberta, esbarrar em tudo, perder a visão dos pés. Imagine só, de novo ver o peito jorrar leite, o rosto engordar, as calças ficarem muito, muito pequeninas. Imagine só, de novo noites sem dormir, aquela angústia pós-parto, as dores do ponto, andar curvada, comprar bomba de leite, comer canjica, um bebê escorradio nos braços, fazer shhhhh o dia inteiro, por barriga com barriga, chacoalhar, não chacoalhar, paninhos e mais paninhos para as infinitas regurgitadas. Imagine só, tudo de novo, que loucura.

Além do que, já tive esse milagre uma vez. E faz tão pouco tempo. E quem é que ganha na loteria duas vezes, em menos de uma ano? Quem, quem? Penso, enquanto enrolo-me na toalha.

Em cima da pia, o teste. Quando olho para ele, pela última vez, tomo um susto. O mesmo susto, o mesmo frio na espinha, o mesmo calor no peito. Mais uma vez, penso ouvir as batidas do meu coração, disparado, quando, enfim, respondo para mim mesma: Eu. Eu recebi um milagre, pela segunda vez. Eu ganhei na loteria, de novo.

Que chovam estrelas, que explodam os fogos. Vou ter mais um bebê.

www.embuchada.blogspot.com

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7 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Essa história 'tá ficando animada. :) Que seja bem-vindo esse novo bebê e seu enxoval de crônicas.

Cris Rovini disse...

Embuchada II aqui vamos nós!

fernanda disse...

Ahhhhhhhh, Kika!!!! Que felicidade!!! Adoro essas notícias!!! Parabéns!! E, apóio, Embuchada II!!!!

Jujú disse...

Êeeeeeeeeeeeeeeeeee....

Eu tb amo essas notícias, e ando tendo tantas boas novas dessa, de pessoas amigas e queridas! Melhor eu redobrar meus cuidados!rs

E tô com as meninas, EMBUCHADA II

Parabéns, Kika!!!

Beijocas!

Miss disse...

Nossa... nem sei o que dizer. Acompanho seu blog a tanto tempo que nem sei... tudo de novo? Que delícia!!! Ai vamos nós!!! Embuchada 2 a missâo!!!

albir disse...

Parabéns, Kika! Como na gravidez da Sofia, conte-nos tudo.

Marilza disse...

Olha, nao a conheço, mas leio sempre suas crônicas, suas aventuras de mãe. Parabéns!!!! Felicidades
Vou aguardar por mais estórias.