Pular para o conteúdo principal

PRATICANDO ELOGIOS >> Clara Braga

Acho que as pessoas esqueceram como se faz um elogio. É curioso, mas parece que estamos vivendo em um mundo onde qualquer pessoa ao seu lado tem que ser vista como seu concorrente ou inimigo. É comum ouvir pessoas falando que já não se pode confiar nem na própria sombra. Como isso é triste, que tipo de relação se pode ter com qualquer pessoa se já não se pode confiar nem em si mesmo? E é verdade, as pessoas perderam mesmo a confiança em si.

Proponho um teste. Se você tiver que dizer uma qualidade e um defeito seus, vai perceber que é muito mais fácil falar dos defeitos. Por quê? Não deveria ser tão difícil assim lidar com coisas boas.

Ouço várias pessoas dizendo que não gostam de elogiar e dizer as qualidades de outra pessoa para que ela não fique metida. E é assim mesmo. Se alguém é cheio de si, já é tachado de metido. Acho que a confusão pior é achar que não gostar de si tem algo a ver com humildade. Que besteira!

Tem ainda o caso dos relacionamentos amorosos. Muitos afirmam que não conseguem dizer o quanto e por que gostam da pessoa com quem estão porque já se envolveram assim antes e acabaram se magoando. Como se relacionar sem se envolver?

É complicado. Eu também tenho essas dificuldades, mas acredito que seria muito bom se todos começássemos a treinar a prática do elogio. Comece hoje mesmo, faça um elogio a alguém sem a vaidade de esperar algo em troca e sem o medo de achar que a pessoa vai ficar cheia de si e virar uma convivência insuportável. Também não estranhe as diferentes reações, ninguém está mais acostumado a receber elogios.

Treine também um elogio a si mesmo, não é errado gostar de si, pelo contrário, nós temos que ser os primeiros a gostar de nós mesmos, afinal, se você não gosta de você, quem vai gostar?

Comentários

Clara, posso começar a aceitar o seu conselho lhe elogiando pela escolha do tema dessa semana? :)
Marilza disse…
Clara, seus textos são leves, gostosos de ler e precisos.Viu? Já comecei praticando o elogio...rs
Abs
Clara Braga disse…
Opá! Fico muito feliz que tenham aceitado o convite para a prática do elogio, e mais feliz ainda que esses elogios sejam para mim!
Obrigada!
=)
Carla Dias disse…
Pois é, Clara... Elogiar dói em algumas pessoas. Eu confesso que adoro elogiar, mas sou péssima em aceitar elogios. Então, acho que temos de praticar as duas coisas: elogiar e ser elogiado.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …