terça-feira, 18 de janeiro de 2011

QUANDO VOCÊ ACHA QUE NÃO VAI FICAR PIOR...
>> Clara Braga

Em todos os meus relacionamentos, eu sempre tive uma grande dificuldade: conhecer a família da pessoa. Para mim, não existe situação mais embaraçosa que essa. Todas as vezes que eu fui conhecer os pais de um namorado, eu acabei falando alguma besteira.

Teve uma vez, depois da minha mãe morar em Portugal e eu ir visitá-la e aproveitar para conhecer Madri e Barcelona, que eu fui conhecer a mãe de um namorado e ele me pediu para dizer a ela qual o lugar da Europa que eu tinha gostado mais, e eu disse que nunca tinha ido à Europa, mas dos lugares que eu tinha visitado, o melhor tinha sido Barcelona. Não preciso nem dizer que o namoro não durou e que, no mínimo, a mãe dele pensa até hoje que eu fui colega de classe da Carla Perez. Mas, enfim, depois dessa eu decidi que não conheceria a família de ninguém antes de, no mínimo, 6 meses de relacionamento, isso sendo otimista.

Decisão tomada e o atual namoro apareceu. Eu temia pelo dia em que ouviria a frase: “Vamos lá para casa!”. Depois de ter tirado a Espanha da Europa, o que mais eu poderia fazer? Antes mesmo que eu pudesse surtar por medo da situação, meu pai decidiu fazer uma cachaçada lá em casa para os meus amigos. Após três garrafas e meia de cachaça para 5 pessoas, algumas pessoas – meu pai e meu namorado para ser mais exata – passaram muito mal, e foi após ele ficar mais de uma hora embaixo do chuveiro passando mal com tudo que se tem direito que eu o apresentei para os meus pais como meu novo namorado, já que como amigo eles já conheciam.

Com certeza a situação estava mais fácil para mim, seria difícil superá-lo, mas como um bom namorado que é, ele não se deu por satisfeito. Fomos para a casa da minha madrinha comer cachorro-quente para ver como ficou a reforma do apartamento dela. Tudo estava novinho, principalmente o sofá branco da sala. O sofá branco da sala ainda não havia sido impermeabilizado. E então, quando menos se esperava, lá se foi o cachorro-quente dele, cheio de molho de tomate para o novo sofá branco não impermeabilizado. Envergonhado, com certeza, não seria a palavra exata para descrever como ele ficou. Acabou não sendo nada demais, tudo ficou limpo e sem manchas. Mas para quem derruba o cachorro-quente nunca é simplesmente nada demais.

É claro que minha família, palhaça como é, não esqueceu a situação e ainda vai brincar muito com ele por causa disso, mas o mais importante é que foi assim que eu perdi meu medo de estar entre os familiares dele, mesmo que eu diga que o melhor lugar da Europa é a Austrália, acredito que eu tenha meus créditos. Ah, e para quem quiser comer cachorro-quente, o sofá já foi impermeabilizado.

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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, tô só esperando a crônica em que você vai retribuir essas "gentilezas" de seu namorado. :)

O Namorado disse...

Que bonito...! Estou sento exposto como o desastre em pessoa. Tudo bem, isso tudo por que você me adora, né?

Vou tirar a diferença disso hoje. Quero só ver você correr e sem direito a cãimbra como ontem, tá?

Vou deixar o meu comentário para pedir um espaço com Direito de Resposta. huahuahuahuahuahua