sexta-feira, 16 de maio de 2014

EU NÃO SEI! >> Paulo Meireles Barguil

Descobri, há pouco tempo, quão libertador é poder dizer "Eu não sei!" com convicção e sem qualquer vergonha.

É verdade que, para um professor, essa declaração pode, a depender do contexto, ameaçar sua reputação, a qual foi construída com muito estudo e renúncia. Por isso, eu só recomendo proclamá-la após o estágio probatório ter sido aprovado, no caso de servidor público. Para os que lecionam no sistema privado, recomendo que se acautelem na verbalização da mesma!

Comparo-a a um mantra (do sânscrito Man, mente, Tra, controle), que deve ser repetido pelo fiel várias vezes, com objetivos múltiplos: meditar, energizar, adormecer, acordar...

No meu caso, acredito que essa oração se constitui num divisor de águas: tal como Moisés que, após tantos anos de escravidão, atravessou o Mar Vermelho fugindo do exército egípcio, ela me conduzirá à terra prometida.

Para um aprendiz de cientista, que adora brincar de entender a vida, as pessoas, o mundo, essa admissão poderia soar como a desistência de seu folguedo predileto.

Imagino, contudo, que estou começando a entender o que Sócrates quis ensinar quando admitiu: "Só sei que nada sei!".

O desejo e a capacidade de aprender são sagrados e se deve expressar gratidão ao Universo por nos ter concedido tais bênçãos.

Na intenção de ter uma existência mais plena e diminuir os seus medos, o Homem busca controlar e prever a natureza, ampliando suas fronteiras epistemológicas.

É fácil constatar que o conhecimento é fonte de poder. O Homem decide se vai usá-lo em prol da vida ou da morte...

Para que uma pessoa encontre a luz, é necessário que ela admita que no escuro está. Oxalá que cada descoberta propicie o incremento da alegria e da confiança em cada um de nós.

A quem me indaga se acredito que encontrarei o meu Oásis, eu respondo:

– Eu não sei!

Partilhar

2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Sábias palavras! :)

Zoraya disse...

Seria bom que todos tivéssemos essa consciência, o tempo todo e não só às vezes. Valeu, Paulo