quinta-feira, 29 de maio de 2014

POR UM INVERNO FACULTATIVO >> Mariana Scherma

Na primeira semana mais gelada do ano, não me ocorreu nenhum outro tema pra escrever a crônica de hoje. Desculpe. Pode ser que eu até já tenha detonado o inverno neste espaço (mais de uma vez), mas não custa deixar mais claro ainda o quanto eu desprezo essa temporada. Frio deveria ser facultativo. Você quer se sentir congelado? Sim? Ok, vá em frente. Não? Eis aqui sua passagem para o nordeste. Fique lá até o inverno ir embora. Mesmo ainda sendo outono... O que me deixa irritada no frio é que tudo fica mais difícil — tirando dormir, obviamente. Como não dá pra hibernar feito urso (alô, deuses, vamos conversar sério na próxima encarnação), achei digno listar minhas maiores dificuldades nessa fase. Você pode concordar ou só achar que eu sou reclamona mesmo. Fique à vontade.

Não existe abrigo pra tudo. Você se enche de casaco, põe meia de lã, luva, touca, mas... o nariz segue gelado. Porque ainda não inventaram nada que permita respirar e deixe o pobre nariz numa temperatura que não seja igual à de um cubo de gelo. E digitar nesse frio? Pobres pontas dos dedos.

“Toma uma sopa, esquenta”. Tenho uma leve vontade de socar quem me diz isso. Tomar uma sopa no frio em sua própria casa envolve picar legumes, mexer com água, lavar a louça depois. Ah, tá, tem aquelas de saquinho. Mas é puro sódio, nem por todo frio do mundo eu vou ficar inchada e com tendência à pressão alta.

Os passos infinitos entre o vestiário da natação e a piscina. São, no máximo, uns 15, mas no inverno eles parecem A Maior Caminhada do Universo. Eu juro que sinto meu sangue congelando nas veias. Depois, pra sair da piscina quentinha e voltar para o vestiário, a caminhada fica maior e mais sofrida.

Tipo cebola. Você sai de casa cheia de blusa, chega em casa, vai tomar banho, tem que se descascar inteira. Eu me sinto uma cebola antes de ser picada para o refogado. Frio não é prático. Frio sempre faz você chegar atrasada, isso se chegar, caso não tenha desistido no meio do caminho.

Tomar cerveja fica impossível. Cerveja boa tem que ser trincando de gelada, mas no frio, ôh que difícil, mas nem vou reclamar disso, porque o vinho esquenta. E é bem bom.

A puxada arte de tomar banho. Eu tenho uma técnica: antes do banho, coloco uma música animada, danço até suar e entro sem pensar, de cabeça e tudo. Poderia ser mais fácil se eu me rendesse à temperatura polar do chuveiro, mas morro de dó da minha pele e do meu cabelo. Não quero ter madeixas de vassoura.

E um dos itens mais difíceis. Nesse caso, para os meus olhos. Usar bota no frio é bonito, elegante e tal, mas aqui em Bauru, pelo menos, tem tanta gente que usa calça larga por dentro da bota que às vezes acho que estou no Sul, numa festa típica de gaúcho, os fandangos, sabe? No Sul, ok. Mas aqui em Bauru... Zero a ver.

Também, como você que leu esta crônica deve ter notado, é difícil aguentar meu lado ranzinza que acaba sendo elevado a nongentésima nona potência. Um pedido final: que o inverno chegue logo pra começar a ir embora, por favor.

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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Apoiada, Mariana! Até aqui em Fortaleza, que não tem inverno, já estou dando graças a Deus porque a temporada de chuva (e lama) está passando. :)