terça-feira, 6 de maio de 2014

QUE FUTURO É ESSE? >> Clara Braga

Com criança, você sabe né, não se pode nem piscar. Imagina então com 24 crianças juntas, às vezes é melhor nem respirar. Mas eu respirei… aliás, respirei e pisquei! Como já era de se esperar, foi o suficiente para um correr até o outro e acertar um chute no colega. O outro não deixou barato, correu atrás do um e revidou. Me senti naqueles cenários de filme americano, quando uma criança começa a brigar com a outra e as outras da turma fazem uma roda em volta dos lutadores e gritam: briga, briga, briga!

Claro, antes que esse cenário pudesse de fato acontecer, eu separei os dois. Me lembrei na hora de um artigo que eu tinha lido que dizia que, quando crianças agem desse jeito, o melhor é conversar com elas como se fossem gente grande e explicar que aquele ato é errado. Bom, fui testar a tal afirmativa. Levei todos para a sala e disse: gente, vamos conversar aqui numa boa, vocês já estão grandinhos, então sei que podemos resolver isso sem chamar pai e mãe na escola, não é mesmo? (Será?). Bom, segui com a minha tentativa: ninguém gosta de ser desrespeitado, certo? E para que a gente seja respeitado como gostamos, o que temos que fazer? Eles prontamente responderam: ser gentil, ser amigo, respeitar nosso colega, pedir desculpas etc. Surgiram várias respostas bem interessantes, então segui com o bate-papo: então, se a gente gosta disso tudo que falamos, se por acaso um colega estiver em um momento difícil, estiver chateado e, sem querer (até porque eu sei que aqui ninguém bate em ninguém por querer, não é mesmo?), bater em você, como você deve agir?

Me arrependo amargamente de ter feito essa pergunta, tive que ouvir coisas como: revidar, lógico, a pessoa tem que entender que ela não tem o direito de fazer aquilo e, pra ela entender isso, você bate! Ou então: vou apanhar e vou ficar quieto? É claro que vou bater de volta, não vou ficar apanhando de graça!

Não acredito que essas crianças tenham compreensão do real significado do que elas disseram, nem da real gravidade do problema. Muito menos cabe a mim dizer que a culpa é da família ou da escola. Mas realmente acredito que em uma época onde as pessoas não se dão bom-dia quando entram em um mesmo elevador, mas se unem para espancar uma mulher até a morte acusando-a de algo que ninguém pode nem comprovar, deveríamos refletir muito sobre a educação das crianças e sobre o mundo no qual elas estão crescendo. 

A verdade, gostemos ou não, é que somos todos um pouco culpados por esse pensamento, e se não quisermos viver em um mundo completamente caótico, se não quisermos que essas crianças sejam as próximas a estarem matando e roubando por aí, está na hora de sairmos da nossa pequena zona de conforto e começarmos a fazer nossa parte. Vamos parar com essa mania de querer fazer justiça com as próprias mãos e vamos nos unir pelo que realmente vale a pena.


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