terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A TEORIA DA TRIVIALIDADE >> Clara Braga

Vocês já perceberam que quando começamos a prestar atenção em algo novo parece que esse algo não é tão novo assim?

Bom, acho que não consegui me expressar direito, vou tentar explicar melhor.

Por exemplo, meu pai comprou recentemente um carro novo, um Honda Fit. A idéia de comprar especificamente esse carro foi porque era um carro diferente, que poucas pessoas tinham. Mas o que acabou acontecendo foi que depois que ele comprou o carro, parece que o carro que mais tem na rua é o tal do Honda Fit.

Outro exemplo é esse grupo com o qual eu comecei a trabalhar faz pouco tempo, onde todos os alunos são deficientes. Eu nunca tinha tido contato tão próximo como estou tendo agora com pessoas que tivessem qualquer tipo de deficiência, já hoje em dia eu acho impressionante a quantidade de cadeirantes que eu vejo pela rua.

Esse fenômeno da novidade que não é tão novidade assim, para mim, aconteceu também com a crônica. Depois que comecei a escrever aqui semanalmente, tive a impressão de que crônica virou moda. É muita gente escrevendo, muitos livros de crônicas foram lançados, todo jornal e toda revista aposta forte nas crônicas, e apostam também em todo tipo de pessoas para escreverem. Chamam atores, chamam cantores, estudantes desconhecidos, o vizinho do cachorro da vizinha, não importa, o que importa é ter uma crônica!

A princípio eu achava que essa “popularidade” da crônica, se é que eu posso usar essa palavra nesse caso, se dava porque o mundo anda muito corrido e a crônica, por ser um texto mais curtinho, dá para ser lido rapidinho, sem perder muito tempo.

Ninguém pode negar que essa minha teoria faz muito sentido, e que pode até ser uma verdade. Mas outro dia, pensando melhor, cheguei a uma outra conclusão, que também é só uma teoria, mas que também faz muito sentido.

A crônica, apesar de não ser uma regra, normalmente trata de assuntos triviais. E, de fato, o mundo está mais do que necessitado de um pouco de trivialidade.

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2 comentários:

Josiane Caetano disse...

É verdade, todo mundo escreve crônicas agora: até eu, que tenho um blog que deveria ser sobre bebês, acabo é escrevendo crônicas para a minha filhinha.
Acho que a crônica tem sido o texto mais escrito por ser o gênero mais leve de escrita e leitura, e, como trata-se de coisas cotidianas, nem é preciso ter tanta imaginação e cuidado quanto escrever um conto, por exemplo.
Então vamos todos " cronicar". E gostoso pra caramba!

DAMARC disse...

Ah clarinha!!! Ainda a mesma dos tempos nostálgicos de palco... Muito bom. Bjs!