terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O OUTRO LADO DA MOEDA >> Clara Braga

Eu, como qualquer outro ser humano, tenho meus defeitos. Alguns são defeitinhos, outros já são defeitos um pouco maiores, mas tudo bem, a gente vai aprendendo a lidar com eles como pode.

Um dos meus defeitos é ser muito exigente. Isso, quando é só com você mesmo, pode até ser bom, você acaba fazendo as coisas com mais perfeccionismo e assim vai melhorando. O problema é quando você é tão exigente consigo mesmo que acaba sendo exigente com os outros sem nem perceber. E esse é meu caso.

Fico chateada quando as pessoas esquecem meu aniversário, não gosto quando as pessoas se atrasam muito sem me explicarem o motivo, fico um pouco magoada quando as pessoas não estão presentes em eventos que para mim significam muito, e fico um pouco enciumada quando bons amigos meus marcam de sair entre si e não me convidam.

Muitas pessoas devem se sentir um pouco mal com essas situações, e por isso devem estar pensando que isso não é ser exigente, isso é normal. O problema é que a maioria das pessoas fala para a outra pessoa que não gostou da atitude dela e, pronto, esqueceu o assunto. Eu não, demoro até esquecer, e é ai que o problema surge.

A melhor forma de repensarmos essas atitudes nossas que não são muito certas, mas que às vezes não conseguimos evitar, é quando a história muda de lado.

Enfim estou de férias, mas essas duas últimas semanas não foram fáceis. Muitos trabalhos para entregar, muitos relatórios para escrever, montagem de exposição para fazer, apresentação final do grupo de teatro-dança para deficientes no qual estou trabalhando, algumas apresentações da banda, muito ensaio e assim por diante. Todas essas tarefas me deixaram completamente sem tempo, mal arrumava tempo para comer e tomar banho, que dirá arrumar tempo para ser uma boa amiga, boa filha, boa namorada, etc.

Agora que entrei de férias, descansei. Mas junto com o alívio de ter acabado, veio um sentimento de culpa. Não sei bem se é culpa, se é arrependimento, enfim... só sei que me senti mal. Esqueci alguns aniversários, nem liguei para avisar que não poderia aparecer na festa, perdi alguns eventos, não respondi mensagens nem e-mails, nem a crônica de terça-feira passada eu consegui colocar aqui por não ter tido tempo de parar na frente do computador.

Para todas essas pessoas que eu acabei deixando um pouco de lado, minhas sinceras desculpas. Mas acreditem, o ensinamento vai ficar. Agora vou pensar mil vezes antes de reclamar de alguém dizendo que é impossível a pessoa não arrumar 2 minutos no dia para avisar que não vai comparecer, ou 30 segundos para mandar um SMS avisando que não vai conseguir chegar na hora que marcou.

Sei que algumas pessoas nem chegaram a ficar chateadas, enquanto outras podem estar chateadas até agora, mas para essas que, assim como eu, ficam chateadas, acreditem, às vezes a gente não arruma tempo mesmo, não é invenção.

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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

É, Clara, tem coisas que só mesmo passando pela situação. E é bom a gente passar mesmo, pra aliviar a barra de quem mais passou ou passará pela mesma situação. :)