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PROBLEMA DE COLUNA >> Fernanda Pinho


Confesso. Estou com o editor do Blogger aberto e o cursor piscando. Já olhei na agenda para ter a certeza de que hoje é quinta-feira mesmo. Talvez seja quarta e eu esteja apenas um pouco confusa, sei lá. Mas é quinta. Ontem, inclusive, foi quarta. E eu aqui, com o cursor piscando no editor do Blogger. São 10h36 e eu ainda não tenho minha crônica de quinta. Se eu tirasse uma foto do que é meu quarto nesse momento vocês pensariam que tudo isso é bem típico de mim. Desorganização total. Mas até que não, sabe. Esse negócio de texto eu levo a sério. Normalmente já começo a semana com minha crônica de quinta pronta ou, no mínimo, com um tema na cabeça.

Mas o que me ocorreu essa semana foram apenas relances de assuntos que me pareceram bem desinteressantes. E não duvido que agora alguém tenha resmungado: "e desde quando o que você escreve é interessante?". Eu sei, não é. Não vai jogar isso na minha cara agora, né? Cadê o espírito natalino? Mas é que as ideias da semana foram mais medíocres que o habitual. Estou um pouco atrapalhada da cabeça por motivos que ainda não encontro palavras para explicar. Coisa boa, adianto. Pra coisa ruim eu sempre dou um jeito. Poderia falar sobre natal ou ano novo, mas ainda é cedo. E eu não sei se teria o que dizer depois de ter gastado todos os meus votos para 2012 escrevendo cartões institucionais.

Olho para a janela. Continua a chover. Depois mandam a gente tomar banho depressa para preservar a água do meio ambiente. São Pedro, pelo visto, não leva essas dicas a sério. Gasta tanta água lavando seu quintal. Precisa mesmo disso tudo? Me limito a dizer que sempre achei e continuarei achando que só deveria chover nas lavouras e ponto. Nem para fazer barulhinho bom pra dormir eu acho necessário. Pra isso existe a internet. É tudo o que eu penso sobre chuva. Não renderia uma crônica inteira. E nem é necessário. Já rende tanta matéria trágica nos jornais. Ainda bem que eu sou uma jornalista que escreve sobre decoração e design.

Por falar em decoração, eu poderia comentar como Belo Horizonte está maravilhosamente bem decorada para o natal deste ano. Sério. Parece que decoraram como se, sei lá, o mundo fosse acabar antes do próximo natal. Belo Horizonte, aliás, fez aniversário essa semana e eu poderia falar sobre isso também. Mas é um tema muito restrito, afinal, temos leitores do Brasil inteiro. Ok. Eu falo sobre a minha vida e minha vida é muito mais restrita que minha cidade. Mas pelo menos minha vida é um assunto original, né? Ninguém mais escreve sobre ela.

Mas nem sobre minha vida há algo que eu poderia contar agora. Poderia, talvez, falar sobre o amigo oculto de ontem e transcrever as palavras da Mairsa dizendo o quanto eu sou inteligente e maravilhosa para revelar que havia me tirado. Mas seria muito egocêntrico, não? Eu não sou o tipo de pessoa que se diz inteligente e maravilhosa em suas próprias crônicas. Então não vou ficar aqui dizendo que meus amigos me acham inteligente e maravilhosa, tá? Podem ficar despreocupados.

Já passam das 11h e eu preciso dar um fim nisso. Enquanto digitava essa não-crônica (dizer "enquanto eu escrevia essa crônica" seria cara de pau demais) me lembrei de algo oportuno. Quando tive a oportunidade de participar de um bate-papo com Zuenir Ventura e Luis Fernando Verissimo, os ouvi admitir que também são acometidos pela falta de assunto, para preencher as colunas que escrevem. Sobretudo quando têm um compromisso fixo de escrever em determinado espaço. Situação que Zuenir batizou simpaticamente de "problema de coluna". Se eles podem, acho que eu também.

Comentários

Boa saída, Girafinha. :)
Jujú disse…
Ferdi, minha amada,

Vc é muito sagaz. Consegue tirar assunto até na falta de assunto! E não é que ficou bom demais?rs
albir disse…
Você só provou que não precisa de temas pra escrever.
Anônimo disse…
Gostei muito das crônicas, parabéns!!!

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