quarta-feira, 7 de setembro de 2011

IN DEPENDÊNCIA >> Carla Dias >>

Hoje, no dia em que comemoramos a Independência do Brasil - e os aniversários da Vera e da Maria -, decidi escrever sobre como dependemos. Ao menos eu dependo... E muito.

Dependemos de nós mesmos, a princípio, para sairmos da cama e começarmos o dia. Neste momento, não é tão importante saber o que ele traz no cardápio. Quando os olhos ainda estão se acostumando à claridade, dependemos somente do show das pálpebras despindo o olhar. Porém, o que parece simples, ainda às margens do rio da sonolência, torna-se uma aventura com duração de horas e mais horas.

Sendo assim, dependemos do temperamento do tempo, da sua cadência, para estabelecermos a nossa. Se o tempo fechou, o trânsito engrossa. Se o tempo está aberto, o trânsito engrossa um pouquinho mais tarde, e com cara mais feliz. Se o tempo passa e nos deixa em filas, certamente terminaremos o dia com saldo positivo para a exaustão... A não ser que conheçamos alguém bacana na fila e o papo seja tão interessante que o tempo acaba é passando rápido demais.

Há dias em que dependemos do carinho do outro e calha de ser num momento em que nos falta a fluidez para dizer tal necessidade, mostrar-se aberto a receber o oferecido. Em dias como estes, bom, conheço pares de poetas que escreveriam versos febris a respeito da tal dependência. Eles a diriam de forma tão intensa que, certamente, quem os lesse se reconheceria. Afinal, quem já não teve um dia de depender do que não consegue pedir?

Dependemos de tanto e de muitos, às vezes da bondade alheia, da compreensão do outro para nos amparar quando a nossa própria anda embaralhada. E do humor da temperatura para saber se usaremos camiseta ou é melhor levarmos o casaco. Dependemos do olhar do estranho que, às vezes, nos diz mais do que esperávamos dos mais próximos. Que diz bem, feito uma alento de passagem.

Dependemos de uma série de escolhas, e elas nem sempre são nossas. Como indivíduos, dependemos do caminho que traçamos. Como cidadãos, dependemos da disposição de quem elegemos em cumprir as suas promessas de campanha, com a mesma consideração com a qual trava a batalha em busca de oferecer aos seus filhos o melhor.

Eu acredito no nosso país. Acredito nas pessoas, nas ideias que muitas têm. E também acredito que, assim como o Brasil, temos de declarar independência, sempre que a dependência não for digna da licença poética, ou não defina o simples fato de que, para termos uma vida plena, temos de também pensar coletivo, pensar no outro, quando as consequências das nossas escolhas não atingirem somente ao indivíduo que somos, mas também ao cidadão.

Uma ótima independência para você!

carladias.com

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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, fiquei aqui pensando nesse "dependemos de nós mesmos" e acho que nem li o resto da crônica direito. :)

albir disse...

Concordo, Carla. Não há como ser independente sem reconhecer e respeitar as dependências nossas de cada dia.

Marisa Nascimento disse...

Carla e tudo "depende" de como analisamos o que e dependência e o que é independência, não é?
Bjs

Carla Dias disse...

Eduardo... Acho que eu mesma não li o resto da crônica direito : )

Albir... Não basta mesmo querer sem independente, não? É preciso sê-lo e com todos os direitos e deveres em dia. Aí sim é bom.

Marisa... Sim, Marisa. A minha ideia foi mesmo fazer essa conexão entre a independência e a dependência, sempre com a certeza de que “depende de”. Beijos.