quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SENTIDOS >> Carla Dias >>


Sentido é o que buscamos quando nos falta chão ou há o desejo de se efetuar mudanças significativas na vida. Mas também pode ser apenas o que se propõe: direção. Mas ‘sentido’ é uma palavra com tantos significados, como somos nós, os seres humanos, que fica difícil defini-la sem um contexto.

Por exemplo:

O sentido do tempo é o adiante e o avante, não há nele o que ande para trás, mas quando olhamos álbuns de fotografias... O sentido do tempo se vira do avesso, seus olhares se tornam nostálgicos. E o até então sem sentido passa a fazer todo o sentido do mundo.

A violência não faz sentido, mas vítimas, e não adianta me mostrar planilhas, dados e mais dados, a essência da estatística, o porém da História. Violência será sempre algo completamente ausente de sentido para mim e sem o menor tato para a compaixão e a temperança.

O sentido da paixão são os holofotes e os fogos de artifício despontando no céu dos nossos desejos. Autores de apaixonamentos se permitem perder o rumo e o medo. Saem andando por aí, sentindo a cabeça avoada e o coração apertado.

Há dias em que acordamos desprovidos de sentido e então se perdem quase todos os significados da palavra. Não sabemos o que fazer e brotam segundos sentidos no nosso dentro, formando um jardim de interrogações. Deixamos de fazer sentido pouco depois do café da manhã e nos esbaldamos na sensação de não sabermos aonde ir.

O sentido das coisas pode ser o mesmo das pessoas e das ideias. Pode habitar o coletivo ou o pessoal e intransferível, e morar nos benditos frutos de inspirados ventres, amém, magnólias e margaridas e trovões.

Há sentido naquele que perde o sentido para que o rumo caiba na sua necessidade de aprendizado. Às vezes, a coisa-sentimento não faz sentido, mas por isso mesmo é o melhor para a coisa-pessoa.

E se o arco solta a flecha e ela muda de rumo é por estar na hora de um novo alvo. As flechas libertárias são sábias e surpreendem os sentidos dos arqueiros.

O sentido da luz é o abismo, pois quem mais poderia lhe clarear o olhar?


www.carladias.com


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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Adoro minha cronista filósofa. :) E a diagramação ficou bem legal!

Brunno Leal disse...

Lindo texto!
Parabéns!

Carla Dias disse...

Eduardo... A sua cronista filósofa agradece :)

Bruno... Obrigada!