quarta-feira, 28 de outubro de 2015

BENNET, DARCY E AUSTEN >> Carla Dias >>


Li uma notícia sobre um filme baseado em Orgulho e Preconceito, livro de Jane Austen. O filme será lançado em 2016, e seu título é Orgulho e Preconceito e Zumbis... Isso mesmo, zumbis.

Jane Austen... Zumbis. Zumbis... Jane Austen.

Ainda não tinha lido um livro de Austen, mas este é o clássico caso de “eu assisti ao filme”. Sim, eu nunca comparo o livro ao filme, que adaptações geram sempre diferenças. Minha última experiência foi com Um Dia (One Day/2011), baseado no livro homônimo de David Nicholls, também roteirista do filme. Mesmo com o autor nas rédeas da adaptação, as diferenças se apresentam, e acaba que adorei o filme, até comprei o DVD. Então, ganhei o livro, aprofundei-me nas características dos personagens, e acho que o filme deveria ter durado três horas e meia e Nicholls aproveitado mais da história registrada no livro.

No caso de Austen, eu assisti a todos os filmes baseados em suas obras, assim como os inspirados por elas. Todos. Também assisti ao Amor e Inocência, baseado na vida da escritora. A partir daí, tornei-me ainda mais interessada por ela, por essa figura que destoava de um período em que as mulheres eram moeda de troca e ponto.

AMOR E INOCÊNCIA | TRAILER

Austen deixava claro,  principalmente por meio de seus personagens, que não abriria mão de sua posição diante da vida.

Ainda que não fosse leitora das obras de Austen, não poderia dizer que desconhecia a trajetória da autora. Acredito que, se até então eu evitara ler seus livros, é porque dos filmes, os de época, agradavam-me muito os diálogos e a construção dos personagens. Eu não queria perder esse gostar, deparando-me com uma diferença imensa entre filme e livro. Foi uma bobagem na qual decidi colocar ponto final.

Apesar desse meu descuido, como leitora, ficou muito, mas muito difícil imaginar Elizabeth Bennet e Mr. Darcy como matadores, ou caçadores, ou aniquiladores, ou o que seja de zumbis. Não há como criar uma história pessoal para um zumbi, certo? Uma que se estenda ao que ele se tornou. Ele simplesmente faz parte da trama, mas não tem a riqueza de um vampiro, lobisomem, ou qualquer criatura na qual se possa imprimir uma identidade. Ele é periférico. É uma criatura que vaga, que não tem vontade própria, ele é guiado pelo o que acontece a sua volta. Sendo assim, os protagonistas aos quais Austen deu vida, criando camadas, pincelando desejos e frustrações, os quais carregam o peso de uma época repleta de restrições, de prisões sociais e pessoais; essas figuras precisam ser despidas de suas peculiaridades, do que mais interessante elas têm para se adaptar a um desejo mercadológico por zumbis.  

Depois de ler a tal notícia sobre o filme, meu interesse pelos filmes e Jane Austen sofreu um upgrade. Assisti a três deles novamente: Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice/2005 | Direção: Joe Wright), Palácio das Ilusões (Mansfield Park/1999 | Direção: Patricia Rozema) e Amor e Inocência (Becoming Jane/2007 | Direção: Julian Jarrold). Então, decidi começar pelo começo, lendo os livros da autora. Obviamente, dei início a minha jornada com Orgulho e Preconceito.

Minha benquerença pelos filmes continua intacta. Mas eu, que sou das que se apaixonam pelos personagens, ando mais apegada que nunca a Bennet e Darcy.

ORGULHO E PRECONCEITO | TRAILER

Alguns de vocês podem até se perguntar o que diabo alguém feito eu, que apenas estreou na leitura de Jane Austen, que é nada fã de zumbis, tem de meter a mão nessa cumbuca. Bom, eu gosto de filmes, sou completamente a favor de adaptações de livros para o cinema, gosto muito de personagens sobrenaturais, mas definitivamente não aprecio filmes que tirem de personagens emblemáticos o melhor deles. E até aqui, desculpem-me, mas não consigo visualizar Elizabeth Bennet sendo especialista em artes marciais, enfrentando mortos-vivos, enquanto se apaixona por Mr. Darcy. Na história de Jane Austen, a trama segue além do amor que Elizabeth Bennet e Mr. Darcy acabam por compartilhar. Apesar do romance, e tão presente quanto, está a dificuldade de ser um indivíduo em uma sociedade em que ser mulher já é um problema e também a solução para problemas financeiros da família. E há o ter de lidar com as questões da cultura, educação, os limites impostos e o desejo de ultrapassá-los.

Pode ser que o filme com zumbis faça um imenso sucesso, que seja premiado e tudo o mais. Ainda assim, eu penso como pontuou uma amiga: por que não uma história original? Será que ser original dá muito trabalho?

Vou continuar com a leitura das obras de Jane Austen, que ao menos para isso os zumbis me serviram. Não, eu não assistirei ao filme. Assisti ao trailer e para mim já está bom.

THE REAL JANE AUSTEN | DOCUMENTÁRIO


Jane Austen | Filmes e séries baseadas em suas obras, documentários sobre a escritora: janeausten.com.br

carladias.com



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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Me diverti, Carla, com esse "lado bom" dos zumbis. :)

Zoraya disse...

Só mesmo Carla pra achar um lado bom até em zumbis, rsrsrs

Carla Dias disse...

Eduardo e Zoraya... Eu sei que esse lados nos enlouquecem, mas fazer o quê? :)