terça-feira, 20 de outubro de 2015

ME SENTINDO CONFUSA >> Clara Braga

Outro dia estava ouvindo rádio a caminho do trabalho e, durante um programa de entrevistas e notícias, os participantes começaram a discutir sobra a situação política e econômica do Brasil na atualidade. Falavam sobre o quão envergonhados eles se sentiam ao observar que a prisão só existe para os pobres e o quão triste é o fato de nenhum político ser condenado da forma como deveria diante de tamanha roubalheira. 

Todos os participantes comentavam a situação com uma certa revolta e concordavam com o fato de que a lei deve valer para todos da mesma forma, ninguém deve ter regalias, seja lá quem for e seja lá o que essa pessoa tenha feito.

Logo após a discussão sobre política, uma nova notícia muda o rumo do debate. Um detento estuda por conta própria, termina os ensinos fundamental e médio e é aprovado em cinco cursos pelo Enem. Seu pedido de saída para estudar foi negado, uma vez que, pela lei, um preso reincidente em regime semiaberto tem que cumprir um quarto da pena para ter direito a saídas temporárias e o detento em questão ainda tem mais dois anos pela frente para alcançar um quarto de sua pena de 72 anos.

A partir daí as opiniões não eram mais unânimes, mas teve muita gente defendendo o detento e dizendo que, afinal, sempre repetimos o discurso sobre o quão importante é ressocializar o preso para que ele não cometa mais crimes e seja aceito pela sociedade quando terminar de cumprir sua pena.

Confesso que nunca ouvi uma discussão que tenha me deixado tão confusa. Isso aconteceu já tem uns dias, mas até agora me pego pensando no caso e tento definir uma opinião, mas não consigo. Para mim soa contraditório uma hora pedir que a lei seja cumprida de forma mais rigorosa e igualitária, e no minuto seguinte buscar uma brecha para livrar o cara que também, por algum motivo, foi considerado perigoso para a sociedade. 

Afinal, queremos ou não que a lei seja aplicada e cumprida por todos de forma igualitária? Dar a chance do detento estudar é descumprir a lei ou contribuir com o crescimento de uma pessoa que está tentando ser melhor na vida? Não tenho respostas, por enquanto só perguntas que parecem aumentar a cada hora que passa.


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3 comentários:

Analu Faria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Analu Faria disse...

Isso é tenso. Nosso sistema penal não é tão flexível como o anglo-saxão (americano, por exemplo). Mas somos o país do "jeitinho". O que fazer? Considerar o "jeitinho" uma coisa bacana e flexibilizar o sistema, para atender melhor às necessidades da nossa sociedade, ou considerá-lo perigoso e manter a rigidez, para evitá-lo?

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Quando se trata do julgamento acerca da vida de uma pessoa, melhor mesmo é ter mais perguntas que respostas, Clara. :)