sábado, 17 de outubro de 2015

SEM TÍTULO >> Cristiana Moura

Noutro dia, caminhava no shopping olhando pro tempo e para as pessoas. Smartphones, olhares baixos e várias indivíduos no mesmo espaço, provavelmente conversando com quem não estava lá.
Já não vejo grupos. Vejo aglomerados de pessoas que não se vêem.

Puxar conversa com quem está ao lado é memória guardada no corpo de quem falava com estranhos. Num estranho parece, agora, morar o medo. Parece habitar um estranhamento que, ao invés de instigar, afasta.

Mas e daí? Temos tantas possibilidades de comunicação! Tablets, smartphones, entre outros, nos conectando em redes sociais e tudo o mais. Nada contra a tecnologia, gosto dela. Mas as cabeças estão desalinhadas das colunas, olhando para baixo, enquanto os dedos acariciam as telas. Por vezes, os espaços parecem-me apenas corredores a serem atravessados por corpos desabitados.

Leio a crônica até aqui e parece-me que ainda falta texto a ser escrito. É, faltam-me olhares.

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5 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Primeiro os nossos olhares fogem da natureza "natureza", depois vão fugindo da natureza "humana". "A gente precisa ver o luar".

Cristiana Moura disse...

" porque se a gente não ver, não há."

Eloize oliveira disse...

Muito bom 👊👊👊👍👍👍

Vivi Moura disse...

Oi, vou pegar sua cronica para fazer um trabalho na escola, poderia me ajudar nele ?
Preciso de um comentario sobre a sua cronica.. Me ajuda haha

Cristiana Moura disse...

Ai Vivi, só vi agora!