Pular para o conteúdo principal

DAS COISAS (E PESSOAS) QUE CONQUISTAM
>> Mariana Scherma

Gente que oferece sorrisos grátis, só porque saiu da cama com uma sensação leve no coração e decidiu dar um sorriso nada amarelo ao primeiro desconhecido que encontrou na rua. Gente que oferece comida grátis, só porque acabou de fazer e a panela está lá, quentinha. Quem mora longe da mãe (e da comida maravilhosa dela) dá valor a uma comida caseira tanto quanto valorizaria fazer os seis pontos sozinho na Mega-Sena.

Pai e mãe. Só porque eles decidiram que você mereceria vir ao mundo e experimentar sorrisos grátis, comida do vizinho, carinho de filhote de gato, seu time ser campeão do Brasileiro, o cheiro da chuva no asfalto quente, uma coca-cola gelada depois de uma ressaca brava, um elogio do nada, um abraço mais do nada ainda e um pedaço de chocolate no dia de TPM mais enfurecido.

Seu sofá que lhe espera todo dia de braços e assentos abertos. Seu sofá que lhe consola depois de um dia tenso e que também sabe guardar segredos sobre amassos bem amassados e suspiros de quero mais. Travesseiros fofos que servem de encosto na hora da leitura, que moldam exatamente sua cabeça, a do seu parceiro e aguentam numa boa o peso dos seus sonhos e das suas aflições.

Amigos que não precisam falar pra trocar opiniões. Amigos que o entendem no olhar ou no sorriso meia-boca. Amigos que com uma palavra salvam seu dia e dividem seu desespero. E na hora boa, então? Deixam a felicidade tão melhor! Amigos que seguem com você, mesmo que insista em fazer as mesmas piadas since 2003.

E aquela pessoa, que do nada, assim, de repente, resolveu morar no seu coração e fez você perceber e sentir melhor tudo em volta. Essa pessoa que fez com que você valorizasse cada noite chuvosa porque dormir junto é bom, mas dormir junto com chuva é milhões de vezes melhor. Aquela pessoa que justamente faz cada sorriso ser mais gostoso e valer a pena. Um brinde àquela pessoa. E que todos possam ter alguém que mostre que a vida junto é tão melhor. Não que sozinho não fosse bom, era. Mas tudo pode melhorar, oras. Nem é uma questão de completar, é mais como multiplicar.

Comentários

graça grauna disse…
sua crônica faz a gente se sentir mais leve. Parabéns.Bjos.
E que todos possam ter, Mariana. :)
Analu Faria disse…
Leve, gostosa, bem escrita. Adorei a crônica, Mariana!
Analu Faria disse…
Leve, gostosa, bem escrita. Adorei a crônica, Mariana!
Analu Faria disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Ediani Oliveira disse…
Essa crônica me fez lembrar carinhosamente de algumas pessoas. Obrigada.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …