sábado, 3 de outubro de 2015

JULIANA >> Cristiana Moura

Hoje eu queria inventar uma história bonita para Juliana. Queria mesmo era inventar a vida. Mas Juliana já é assim: invenção. Aguarda com a ansiedade de uma criança os seus trinta e quatro anos por completar. Com jeito e gestos de menina ela tece detalhes do dia a dia.  De colherzinha em colherzinha, seu rosto se enche de alegria, dessas que só o degustar sem pressa pode nos dar. Não era simples sorvete depois de uma reunião. Era lugar de desejo em realização.

Juliana quer encontrar um amor desses que se reconhece na troca de olhares. Quer sentir um filho crescendo dentro de si. Ela tem sonhos. Ontem, se vestiu com uma calça florida e sua blusa verde nova, como quem quer vestir-se de jardim. Floriu a si e à casa com pequenos jarros levados ao parapeito da janela.

Juliana inventou o jardim, a casa, o gosto do sorvete e esta brisa leve de dia quente. Ah,  eu ia esquecendo de contar. Depois do sorvete ela chorou assistindo ao Pequeno Príncipe. Misturou o doce gelado de seu lanche ao salgado morno de si mesma. Ela se inventa inteira!

Cotidiano é assim. A gente vai fazendo nascer o que já existe (sorvete, brisa, jardim) a partir do sentido que dá a cada sensação que inunda o corpo. Acho mesmo que Juliana dilata os poros para sentir o mundo melhor, para se deixar inundar.

Partilhar

4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Deus abençoe as invenções de Juliana. :)

Cristiana Moura disse...

Amém!

Juliana Cysne disse...

Que seja sempre uma invenção!!! Que Deus abençoe!
Muito grata por essa crônica verdadeira, até os jarrinhos na janela existem hahaha! É bem assim que me sinto, inventando e reinventado o mundo e a mim... que seja flor, que tenha cor, cheiro e sabor! Que seja vida vivida e sentida, dilatada nos poros para apurar o sentidos <3 <3 <3

Zoraya disse...

Linda crônica, Cris, gosto muito da sua leveza lírica. bonito demais.