quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

UM PRATO CHEIO DE INCOERÊNCIA
>> Mariana Scherma

Eu sou expert em pegar conversas alheias engraçadas, confusas, suspeitas, enfim... Vai ver é por isso que vivo me perdendo pelo caminho, chegando meio atrasada ou esquecendo o que tinha pra fazer: ouvir desconhecidos conversando é sempre mais interessante. Mas admito que o bate-papo de mulheres e seus regimes malucos ainda é o tipo de conversa que mais desperta a minha atenção. Talvez por elas acreditarem num milagre que não existe.

Essa semana dei pause em todos os meus pensamentos só pra ouvir o bate-papo na hora do lanche. Eu, que sou a mais cética quanto a dietas milagrosas, estava feliz com a minha laranja. As moças na mesa ao lado também estavam felizes, mas com um lanche tão cheio de molho, maionese e cia. que dava quase pra tomar de canudinho toda aquela gordura. E, pra minha surpresa, explicavam uma para a outra, como é (sofrido) o regime de cada uma. Uma conversa meio surreal aos meus ouvidos.

— E como anda seu regime?, perguntou uma delas pra outra.
 Tá difícil. No almoço, eu como só uma saladinha de alface com uns tomates, respondeu.
— Eu como só um omelete de claras, emendou a outra.
— Pra mim, os resultados estão demorando a aparecer, fechou a outra.

Precisa dizer que eu olhei assustada pra elas? Ok, no almoço a sujeita come só uma salada, a amiga um pratão de omelete, mas lá pelas 10h30 da manhã elas devoram uma quantidade de gordura trans que poderia entupir fácil qualquer artéria desprevenida. Incoerência, a gente vê na mesa ao lado.

É certo que essa história de conselho é a maior besteira. E, se eu virasse pra dar uma dica a elas, provavelmente seria apedrejada com um pedaço de bacon. Mas perder peso tem a ver com fechar a boca e  com força de vontade. Falar em regime quando se devora um x-absolutamente-tudo não vai fazer a gordura passar reto no seu organismo. A maioria das mulheres que abusam das calorias adora virar e dizer que alguém é magra de ruim. Odeio essa expressão. Genética conta, ok. Mas nenhuma genética é superpoderosa o suficiente pra aguentar os seus deslizes diários.

Uma vez, um amigo me disse que as pessoas não querem emagrecer, querem ser emagrecidas. Ele tem toda a razão. Vai ver por isso que esses cosméticos que garantem que você perde medidas dormindo e ainda deixam seu corpo sarado (pausa pra risada incrédula) fazem sucesso. É muito mais fácil reclamar que você anda com dificuldade pra emagrecer sentada, botando um montão de caloria pra dentro, do que ir todo dia à academia, comer com moderação e encarar uma vida saudável.

Minha teoria é que, quando você come algo com a consciência pesada, seu peso também aumenta. Já recebi um monte de crítica por isso, mas comigo funciona. Eu amo um docinho e repito a sobremesa nos finais de semana, mas como feliz porque malhei com vontade e comi (de fato!) só uma saladinha na hora do almoço durante toda a semana. A gente faz escolhas nessa vida. O que você põe no prato é só uma delas.

A mulherada gasta mais energia falando que odeia fazer esporte, odeia quem ama academia, odeia ficar de dieta, odeia a Gisele Bündchen, que acabou de ter filho e está magérrima, enfim, odeia. Eu sugiro que levem esse ódio pra academia. Depois de uma hora de exercício, ele se transforma em serotonina. E, olha, isso sim é o milagre da felicidade. Nele eu acredito.


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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Muito verdadeira e bem-humorada, Mariana. E agora deixa eu ir ali comer uma bananinha e correr meus 4km diários. :)

albir disse...

Pois é, Mariana, as pessoas não acreditam que a serotonina esteja tão ao alcance da mão.