quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TRAGA-ME UM PAR, POR FAVOR!
>> Carla Dias >>

I want to love to
Walk right up and bite me
Grab ahold of me and fight me
Leave me dying on the ground
Da canção “Love Interruption”, de Jack White

O ano acabou e outro já deu as caras. A vida começa a entrar nos eixos, mas a realidade, infelizmente, não conseguirá manter minha cidade com as ruas tranquilas como nesses dias de festas. Ainda assim, tudo bem... Ano, dívidas e dúvidas novas.

Na virada do ano, muitas moças que eu conheço pularam ondinhas e fizeram tudo quanto é ritual para dar sorte na mesma área. Elas desejam, com uma urgência que vem com a idade - não apenas delas, mas também das suas possibilidades – encontrar um par. Não um par que somente as acompanhe em eventos sociais, ajude-as a esvaziar uma garrafa de vinho e as leve ao cinema. O desejo é por um par parceiro, que venha com todas as delícias do começo de um relacionamento, mas também com certo comprometimento com o futuro, o que sempre causa certa rusga. Para os distraídos, a tradução: o comprometimento não é com inventar um relacionamento e alimentá-lo de vazios. O comprometimento é com viver o que há para viver considerando a possibilidade de dar certo. Porque a maioria já começa com o pé atrás, porque se der errado, já está preparado. É por isso que, quase sempre, essas pessoas não estão preparadas é para a felicidade de ter dado certo. Melhor mesmo é viver no tempo dos acontecimentos.

O começo do ano inspira muitos começos. Não importa quantos mil anos já se passaram, o início do ano vigente traz certo frescor aos desejos das pessoas. No caso dessas moças, amor se tornou questão de honra. Afinal, ninguém pode ficar sem, não? Ah, mas pode... Coisas da vida, que inclui o tal 50-50: 50% de possibilidade de dar certo e 50% de dar errado. Só que isso é para tudo, não apenas para os corações em modo espera por quem os ocupe.

Junto com os rituais, nascem as listas de expectativas das moças a respeito dos moços. Diferente do que imaginei, essas moças estão cada dia menos exigentes nos quesitos que menos interessam. Estão aprendendo a abrir mão das certezas sobre como será a pessoa a colher seus olhares e sentimentos. Estão dando espaço para o que outro tem a oferecer, mesmo que não esteja nessa lista ilusória de desejos. Obviamente, caráter nunca sai da lista de importâncias, apesar de, nem sempre, homens ou mulheres acertarem a mão nesse item, já que, quase sempre, esse é o tipo de coisa que conhecemos com a convivência. O que também não pode faltar é paciência, para ambos, porque com a correria do dia-a-dia, ficou muito mais difícil dedicar-se a essa construção. Mas “dificuldades são apenas obstáculos”, faz questão de lembrar uma delas ao grupo. Agora, falo sobre elas porque foi onde o assunto começou, o que não desmerece a busca deles por elas.

Quem não o tem, obviamente deseja encontrar um par. É desejo comum aprender a caminhar nesse labirinto do amor romântico. Queremos conhecer todas as suas sutilezas, aprender a sua linguagem e nos refestelarmos em seus mistérios. Não é fácil, nem sempre é gostoso, mas compensa quando é recíproco, verdadeiro.

Estava escutando uma canção do disco solo do Jack White, que era da banda The White Stripes. Na verdade, sempre o admirei como instrumentista, como artista, mas agora me viciei a ele, e especialmente a esse disco, o Blunderbuss, no qual há uma canção muito interessante. Em Love Interruption, que conta com a participação da cantora Ruby Amanfu, Jack brinca com o significado do amor. É uma letra que fala sobre os efeitos colaterais desse sentimento, mas esse é apenas o meu ponto de vista.  Há muito espaço para interpretações. Enfim, a canção me lembrou dessa leva de pedidos na virada do ano, apelos ora requintados e ora desesperados à boa sorte, para que ela traga alguém para se amar e que possa amar de volta. Lembrou-me que a espera é uma boa parte desse acontecimento, que nem todos têm talento para ela e acabam se perdendo em infindáveis relacionamentos caóticos, e principalmente que costumamos tomá-lo por certo.

Tenho comigo que, seja Iemanjá ou o ônibus circular, trará a pessoa que as moças esperam. A grande questão é como cada uma delas viverá sua história com cada um deles. Espero que seja bem diferente da ótima canção de Jack White.

Love Interruption - Jack White
carladias.com

Partilhar

2 comentários:

Zoraya disse...

Maravilhoso, como sempre, Carla. Vou reler e guardar no coração, aproveitar, pedir um par à Iemanjá, sim, mas que eu esteja preparada. O Amor nao é para qualquer uma nao.

Carla Dias disse...

Obrigada, Zoraya!
Acho que quando chegamos ao ponto de pedir nosso par à Iemanjá estamos mais que prontas para recebê-lo. Que Iemanjá lhe atenda. Beijos.