domingo, 6 de janeiro de 2013

COMERCIAIS >> Whisner Fraga

No interior de Minas, chamávamos os intervalos comerciais, tão comuns na TV aberta e hoje praga na TV fechada e até nos cinemas, de “propagandas”. O engraçado é que não nos incomodavam tanto: aproveitávamos o momento para uma rápida ida ao banheiro, para vasculhar a geladeira ou para beber uma água. Algumas vezes preferíamos ficar em frente à televisão, esperando que passasse alguma propaganda interessante.

Havia a das Duchas Corona: um sujeito com violão, cachoeira ao fundo e algumas garotas de biquíni dançando em volta. A música grudava: “duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente”. Todo mundo em casa cantava junto, como se fosse uma criação do Chico Buarque ou do Gilberto Gil.

E aquela outra da Us Top: em uma mesa de reunião, o senhor pergunta, com forte sotaque, ao subordinado: “Que novidade é essa, senhor Fernando?” O espanto tem razão de ser: todos vestem uma camisa branca e o Fernando uma azul. Na próxima reunião, a mesma coisa: Fernando é o único com uma camisa diferente: “É da nova coleção US Top”, explica. No último encontro, o rapaz já se senta ao lado do patrão e vestem camisas iguais. Escuta-se o patrão: “Bonita camisa, Fernandinho!” e depois um coro: “A do senhor também”. O bordão “bonita camisa, Fernandinho” ficou eternizado. Bastava sair à rua e ouvir alguém brincar com a frase.

Não esqueça a minha Caloi”. O desenho animado mostra um garoto que espalha recadinhos pela casa, para que seu pai não se esqueça de presenteá-lo com a Caloi, no Natal que se aproximava. Eu, criança, era muito influenciado por essa propaganda, mas não cheguei a ganhar uma Caloi, pois minha família deu preferência à Monark.

A lolita Patricia Luchesi faz cara de espanto ao manusear uma lingerie: “O primeiro sutiã, a gente nunca esquece”. A propaganda da Valisère é um clássico da televisão brasileira. Essas frases de efeito são um gancho perfeito para o fabricante: a gente pode até achar que não, mas a marca acaba ficando em nossa memória e, na hora de ir a alguma loja, a surpresa: damos preferência ao produto do bordão.

“Ei, ei, você lembra da minha voz? Continha a mesma, mas os meus cabelos... Quanta diferença!”, diz uma moça com a voz desafinada. Era a vez do Shampoo Colorama. E a da Faber Castell, com a música “Aquarela”, do Toquinho? Essa eu esperava para ver. Ficava grudado, pertinho da tela, esperando a animação. Sempre gostei muito da parte do guarda-chuva. Bombril, mil e uma utilidades. Quem não adorava o garoto propaganda da Bombril, com aquele jeito de menino chorão, reclamando "Perdi a boquinha"? Carlos Moreno ficou mais famoso que galã de novela das nove.

E o cachorrinho dos amortecedores Cofap? Acho que na época que rolou o comercial, todos quiseram ter um cachorro daquela raça. Mas, para mim, a melhor de todas foi aquela da Kombi. Dois meninos estão sentados em um muro, brincando de “Quando eu crescer...” Então, um deles diz que quer ter um carrão importado, conversível. Na cena seguinte, ele aparece dirigindo ao lado de uma loira de óculos escuros, num clima de romance. O outro menino replica: “Quando eu crescer, quero ter uma Kombi” e então surge o menino pilotando o veículo lotado de mulheres bonitas. Eu ria muito com essa propaganda. Revendo-a agora, notei que não perdeu a força, é muito engraçada mesmo.

Espero que vocês tirem um tempo para rever esses comerciais e se divertirem um pouco. Se alguém souber de alguma propaganda interessante sobre livros, por favor, me escreva ou deixe um recado. Eu, honestamente, não me recordo. É um bom exercício de memória para este início de 2013. Um feliz ano novo a todos.

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5 comentários:

André Luiz Ferrer Domenciano disse...

Whisner, a nossa memória (nós da geração que ficou sob os cuidados da babá eletrônica), memória afetiva e doméstica, é instantaneamente acionada através desses dispensáveis porém indeléveis "tags". Propaganda de livro! Bem produzida e inesquecível?! Não há. Nunca houve. Talvez na França.

fernanda disse...

Adorei, Whisner! Me lembro de quase todas... mas a da faber Castell, de fato, foi a que mais me marcou.
Um abraços.

whisner disse...

André e Fernanda, grato pela leitura! André, fico tentando resgatar da memória algum comercial sobre livro e nada... Fernanda, a da Faber é uma das minhas preferidas também. Abraços aos dois!

Zoraya disse...

Whisner, que delícia, eu adorava propagandas! nao perdia aquele programa Intervalo, no canal 2 (creio) As campanhas dos bonbons garotos e a da brastemp são hors concours, mas a que ficou pra sempre na minha memória é uma da chevrolet, com jingle do Zé Eterno Rodrix (é no silêncio de um chevrolet que meu coraçao bate mais alto...). Livros? Só os da biblioteca do Exército...

whisner disse...

Zoraya, eu me lembro dessa também, da Caravan e do Diplomata, né? Muito boa. Quer dizer, a música é que salva, né. Um abraço e obrigado pela leitura!