quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

SOBRE TELEMARKETING E EX-AMORES >> Mariana Scherma


Pegar no pé sempre foi uma estratégia que causa um só efeito em mim: querer distância. Tipo, eu aqui, você em Júpiter. Há quem diga que o fato de eu ser de Sagitário tem a ver com isso, sagitarianos prezam muito a liberdade. Mas será que existe alguém que despreze a liberdade de não ter que atender um celular pela décima vez e avisar que "não, eu não quero esses benefícios para o meu celular". Ou dizer "não, obrigada, estou contente com meu cartão de crédito". Ou avisar ao ex "para com isso, nossa vez já passou". Bem no fundo, telemarketing e caras pegajosos são parecidos, provocam nossa cara de desprezo, aquela que faz os olhos virarem e a boca dar uma entortadinha, querendo dizer “que saco!”.

Não estou exagerando. Nos últimos dias de 2012 e nos primeiros de 2013, esses três acontecimentos atormentaram meus dias. Pensei em jogar o celular, juro! Eu sou dessas pessoas que acreditam que celular serve só pra emergência (tô ultrapassada, eu sei). Toda essa insistência só me faz ter uma certeza: o marketing da pressão não cola comigo. Cola em alguém será? Quanto mais insistem pra você querer/comprar/amar algo (ou alguém), mais você percebe que não precisa do que está sendo oferecido. Eu entendo o desespero de um operador de telemarketing querendo deixar seu começo de ano mais gorducho e insiste (muito!), mas a arte de aceitar um não pode levar a um sim mais pra frente (e o mesmo vale pra ex insistente).

Se eu trabalhasse numa empresa de telemarketing, usaria uma tática que funciona muito comigo: a da curiosidade. Ligaria e avisaria: “olha, em breve lançaremos uma promoção para poucos. É a maior promoção de plano de celular já vista. Anote este código que ligaremos em breve”. Pronto, já estaria quase querendo o novo plano sem saber o que é. Adoro um mistério. Mas quanto mais você insiste para o cliente querer, mais o cliente percebe que a promoção não tá com nada. As pessoas deveriam aprender com a Apple: menos propaganda, mais qualidade.

Para os problemas de amores (ex-amores, no caso), eu acredito no poder da saudade. Afaste-se um pouco, mas, antes disso, seja gente boa, saiba conversar (e não falar só de você e dos seus problemas) e, acima de tudo, seja de confiança. Afastar-se só, sem essas qualidades anteriores, é nada além de um alívio grande porque nenhum sentimento renasce depois de várias ligações e um sem números de torpedos. Todo esse carnaval no celular só faz você apreciar o silêncio.

Um pouco de distância nunca matou ninguém e, pela minha experiência, só reforça os verdadeiros laços. Moro longe de muitos amigos – e a amizade não se deteriorou, pelo contrário. Moro longe dos meus pais e nossa relação só ficou mais gostosa, sem aquelas chaticezinhas do dia a dia. Dizem que ciúme é o tempero do amor, mas saudade também dá um gostinho bom. Se ciúme é a pimenta, saudade talvez seja a canela.

A verdade é que marcação cerrada nunca fez ninguém ser mais amado, querido ou desejado. Se fosse assim, todos os atacantes de futebol se apaixonariam pelos zagueiros, certo? Minha dica, no marketing e no amor, é deixar saudade, uma pitada que seja.


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2 comentários:

Camilla Gutierrez disse...

Olá! Também escrevo contos http://azulejandoceus.blogspot.com.br/p/contos_7.html, poderiam dar uma olhada lá? Seria de uma enorme ajuda,de verdade. Podem me mandar um email ou uma mensagem se possível? Seria ótimo! Muito obrigada desde já pela atenção e colaboração. Mil beijos

albir disse...

Muito preciso e divertido o seu texto, Mariana. Gostei dos atacantes e zagueiros apaixonados.