quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ASSUMINDO O SEU PAPEL >> Carla Dias >>

Minha mãe ensinou aos seus filhos, e muito cedo, que com as escolhas vêm as consequências, as responsabilidades. Não é uma lição muito difícil de se compreender, afinal, trata-se da pontuação que damos à nossa vida, a criação do ritmo da nossa existência.

Esse aprendizado, tão básico, tão óbvio, é também relegado quando se trata do que desejamos e do que realmente podemos conquistar. Em algum momento, muitos vão escolher driblar esse aprendizado, tornando-o obsoleto mediante necessidades pessoais. E tudo bem cuidar de si, antes do outro, de colocar-se em primeiro plano, afinal, a sua vida é nada sem você.

A grande questão nesse aprendizado tão básico, tão óbvio, é que ele não é alimentado somente pelas palavras e pelo cuidado das nossas mães ou durante a nossa vida escolar. É o tipo de ensinamento que temos de aceitar a cada dia, a cada escolha. Infelizmente, nem todos compreendem esse aspecto desse aprendizado. Nem todos estão dispostos a aceitar as suas exigências.

É fato que uma pessoa que escolhe, e trabalha muito para construir sua vida atuando na profissão que deseja, construirá um legado de acertos. Claro que nem sempre fará as escolhas certas, porque às vezes a vida pede que arrisquemos. Porém, é preciso compreender, aquele que ama a sua profissão e aquele que tem de se adequar à profissão possível, que as escolhas refletem não somente na sua vida pessoal, naquela onde cabem o senso de preservação e os anseios. Elas também refletem na sociedade da qual você faz parte, na qual você desempenha o seu papel de cidadão.

É mais fácil de se entender do que parece, basta um pouco de boa vontade. É assim: se você trabalha na área da educação e escolhe ser professor, você se torna responsável pelos seus alunos, porque irá ensiná-los a encarar a vida, oferecerá a eles as ferramentas para que construam suas histórias. Se você é um político, deve zelar pelos direitos dos cidadãos, atuando de forma a aplicar as leis e a distribuir as verbas para que se construa um país justo e capaz de crescer, em todos os aspectos. Se você é um empresário do setor alimentício, tomará todas as providências para que o seu produto não agrida a natureza durante o processo de fabricação, e para que o mesmo não ofereça risco à saúde dos seus clientes. Se você é um profissional que tem como função orientar o público, deverá, primeiramente, tornar-se apto a distribuir essas informações. É preciso saber sobre o que é falado, compreender a importância que há nessa função.

Para cada profissão escolhida, as devidas responsabilidades. Não podemos agir como se o que fazemos não provocasse consequências, senão viveremos sempre em um país onde o fiscal não fiscaliza porque recebe um dinheirinho por fora para fazer vista grossa ou por pura falta de vontade de cumprir a sua função. No qual empresários pagam um dinheirinho por fora ao fiscal, ou são bons mesmo na conversa e o dobram, para economizar onde não deveriam, colocando em risco a vida de pessoas que confiam nos serviços oferecidos. Um país no qual é fácil comprar e vender diplomas, colocando no mercado de trabalho muitos profissionais incapazes de desempenhar os seus papéis. Afinal, por que não ganhar um bom dinheiro extra?  E sermos atendidos por um médico que nunca colocou os pés na faculdade de medicina? Que tal?

Você é responsável pela posição que toma diante da vida. Não interessa em que área você atue profissionalmente, outros sempre sofrerão as consequências das suas escolhas. Ao escolher o benefício próprio, o “jeitinho”, ao não se importar com o outro, você compactua, não vem ao caso em quanto, para uma tragédia. Você até pode ser uma boa pessoa, mas também é preciso ser uma pessoa consciente do que suas ações provocam.

Não estou panfletando que você deve ser responsável por todas as pessoas do planeta. Seja responsável por si mesmo e pelas suas escolhas. Pense muito bem sobre decisões que precisa tomar e estão ligadas ao bem-estar alheio. Assim, quem sabe, impunidade e tragédia não tornem temas recorrentes nas conversas de domingo, durante o almoço com a família.

Namastê.

carladias.com

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Você, você... sempre com uma abordagem inovadora. :)

Zoraya disse...

No ponto, Carla! O pior é que muitas boas pessoas acham que o "jeitinho" que dão nunca as afetará, e que coisas ruins só acontecem com o vizinho. E como o"outro" nao faz parte do nosso universo afetivo, ele pode muito bem se danar, que eu só lamento. Até quando critica, você é delicada!

Carla Dias disse...

Eduardo... :)

Zoraya... Eu realmente desejo que um dia isso mude, e acredito que seja possível. O outro somos nós.