terça-feira, 29 de janeiro de 2013

MAIS UMA VEZ O MESMO ASSUNTO
>> Clara Braga

Sei que, de domingo para cá, falar da tragédia de Santa Maria já se tornou exaustivo. Não queria ser mais uma na multidão falando do mesmo assunto que, de tanto que já foi falado, talvez não tenha nada mais a acrescentar, mas estou sentindo necessidade de me expressar a respeito do ocorrido.

Nessas horas em que vivenciamos momentos trágicos, talvez o melhor seja mandar vibrações positivas em forma de orações e nos calarmos. Quando falamos demais, começam a aparecer pérolas como "se eles estivessem na igreja não teriam morrido", como se nunca uma igreja tivesse pegado fogo, ou como se diversão fosse sinônimo de coisa ruim.

Mas a verdade é que, por mais trágico e triste que tenha sido, esse era um incidente anunciado. Espero que não me entendam mal, mas, por mais cruel que possa soar, acho que demorou para acontecer. Há um tempo frequento casas noturnas em Brasília e, de uns tempos para cá, passei a tocar com minha banda em algumas delas, e uma das minhas preocupações sempre foi: já pensou se acontece alguma coisa aqui, nem todo mundo vai conseguir sair. Nenhuma casa tem saída de emergência, e muito provavelmente não terão, pois não convém ao dono deixar o local fechado por uns tempos e perder dinheiro com reforma.

E assim vai continuar até que fiscais, comovidos com o ocorrido, comecem a ir até esses lugares e mandem fechar as portas até que passem a ter melhores condições de funcionamento, ou então que as pessoas, também comovidas e assustadas, se revoltem e parem de frequentar, causando prejuízo ao local até esse ser reformado. Ou ainda que a lei mude e não permita que casas noturnas tenham apenas uma porta. Não sei apontar qual a melhor forma de resolver o problema, mas essa é uma questão de extrema urgência, dessa vez morreu uma quantidade enorme de pessoas que estavam curtindo uma festa, mas o que ninguém diz é que todos os dias músicos, garçons, recepcionistas, seguranças, caixas, etc, arriscam suas vidas trabalhando em locais com essas condições. Vamos esperar mais uma leva de pessoas morrer para tomarmos uma atitude?

Espero que, no mínimo, esse ocorrido possa trazer consequências positivas no sentido de haver mais manutenção e fiscalização nesses locais, que deveriam oferecer lazer e diversão com segurança ao público. Desejo que, pelo menos, além de muita tristeza e dor, essas mortes possam trazer mudança.

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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Que bom que escreveu, Clara. Acrescentou uma nova perspectiva ao meu ponto de vista.