sábado, 12 de maio de 2012

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]


Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.

Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas mães alheias, nas amigas mães.

Quase – e o ‘quase’ aqui novamente é por conta de que nenhuma generalização procede - todas elas são pessoas encantadas e encaixam-se com perfeição na metáfora da poeta Cecília Meireles: aprender com as primaveras a deixar-se cortar e voltar sempre inteira.

Mães são aqueles seres que nos conhecem profundamente: nos atormentam e salvam. Sabem, através de um rápido olhar, se estamos bem ou se algo está errado; identificam no nosso tom de voz a melancolia e a alegria e são capazes de sentir nossas sensações a quilômetros de distância.

Mães são os personagens que traduzem, literalmente, o significado de amor incondicional: AMAM – contudo, todavia, portanto, além e apesar de. São a irradiação profunda do sentimento supremo, do aconchego, daquele tipo de paz e segurança que moram em nossa memória infantil e que, não raro, tentamos resgatar para a busca do equilíbrio cotidiano.

Mães têm humildade, esperanças, paciência, sabedoria, compaixão. São virtuosas, algumas vezes excêntricas, eventualmente exageradas. Entendem de perdão como ninguém e o praticam por antecipação. Suas lembranças são sempre vívidas e dentro delas somos eternas crianças.

Mães, curiosamente, guardam muitos segredos e um poder de superação que resiste ao revés com coragem e determinação imbatíveis - pois detêm uma força que elas próprias, muitas vezes, desconhecem. 

Mães são senhoras da beleza de um jeito especial e único. Mulheres puras na imperfeição – porque têm, em primeira mão, a remissão do que chamam divino. Afinal, são Mães - as nossas. 

E a elas nossa gratidão, o respeito, todo amor. Todos os dias.

 
Foto: Rogério Voltan
Up Date: Certamente, alguém que lê a doçura embutida nesse texto, vai pensar nas mães que jogam seus bebês em latas de lixo, os abandonam pela estrada, naquelas que os renegam, nas que, por temperamento difícil (próprio e/ou dos filhos) mantém relações distantes. Mesmo a essas, dou o benefício da dúvida e/ou da loucura: para algumas mulheres, lidar com a maternidade pode ser algo acima de suas limitações emocionais.


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3 comentários:

Ana Bulhões disse...

"(...)tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória(...)"

É isso aí, Debora. Ótima lembrança. Mãe precisa ser amada e comemorada todos os dias. Sua sensibilidade sempre me emociona.

beijo grande.





Fonte: Crônica do Dia: MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS [Debora Bottcher]

Debora Bottcher disse...

Pois é... Um dia só para comemorar a grandeza de quem nos deu a vida... Isso me assombra... Todos os dias as Mães têm de ser lembradas, mesmo aquelas que não são como os filhos gostariam - pois só por ter dado a vida, já vale algum sentimento positivo, né? :)
Beijo pra vc - com quatro filhas, vc é mais uma heroína que caminha pelo mundo... :)

Marisa Nascimento disse...

Débora, mãe é tudo, não é? Mãe é sentimento, mesmo quando não gera.
Beijo enorme para você que, apesar de nao ter gerado, é uma mãe com M maiúsculo!