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ÀS MÃES QUE NÃO LEMBRAMOS
> Maria Rachel Oliveira

Ser mãe não é só bom. É ruim também. Muitas vezes. Apesar de tudo o que se diz não é fácil quando o peso da responsabilidade de escolher por outra pessoa é mais tenso do que ‘divertido’. Quando, por exemplo, proferimos uma punição por alguma coisa errada que os filhos fizeram e nos arrependemos no momento seguinte. Manter essa proibição, e a angústia do arrependimento em ter errado a mão, é uma das coisas mais difíceis que a maternidade proporciona. Há, é claro, um sem número de alegrias que acompanham este status. Infinitas. Gostosas. Lindas. Divertidas. Emocionantes. Mas dessa parte boa todas as campanhas publicitárias nos lembram – em prol de um incremento nas vendas das datas comemorativas. E amanhã, dia das Mães, por mim, por elas e por todos os pais que também são mães, avós, avôs, tios cachorros e papagaios queria lembrar, e agradecer à toda a rede de suporte que ajuda nessa parte difícil. Ao médico que sabe dizer à uma mãe, com jeito, que sua filha tem um par a menos de costelas, mas “isso faz parte da evolução da espécie”, evitando um ataque de pânico. Àquele professor, que mesmo no primeiro ano do ensino médio, cobra por capricho e atenção, não tornando a vida deles – nem dos nossos filhos – mais fácil ou superficial. Às madrinhas de fé, emprestadas e avós que, nos dias em que estamos “duras demais” sabem dar aquele carinho que nossa cria precisa, nos substituindo, momentaneamente, com doçura. Aos pais que não se acomodam e exercem sua função com a dificuldade que a mesma se apresenta – e, por isso mesmo, merecem todo o nosso reconhecimento. E a todos aqueles outros, que ao invés de atrapalhar, ajudam. Os bons conselhos, os bons papos – a que não temos acesso... ser mãe não é ser heroína. Mulheres maravilhas não existem. Mas é certo que seria muito mais difícil se não fôssemos cercadas de algumas pessoas maravilhosas que nos ajudam nessa caminhada. Feliz Dia das Mães a cada um(a) de vocês também. E, obrigada por tudo. Até por aquilo que não lembramos.

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