quarta-feira, 15 de junho de 2011

QUERIDA INSÔNIA >> Carla Dias >>

Na correria em que se encontra a minha vida, por causa do trabalho e afins, tenho ficado em falta com muitas pessoas. Não digo isso - sobre a correria - para parecer bacana, pessoa ocupada, essas coisas. Digo com peso na consciência mesmo, porque a minha natureza é abraçar o mundo com os braços e com as pernas, sempre me propor a fazer mais do que realmente deveria fazer, porque as pessoas precisam respirar, ora pois!

Mas eu topo tudo isso, uma coisa abrandando a outra, no meio da confusão de datas limite, urgências e por aí vai.

E o que vem com isso, claro, é a insônia. Minha amiga insônia adora me visitar nessa época do ano, quando trabalho bastante no festival de música que acontece em julho. Mas por incrível que pareça, eu não me importo. Chegando em casa, depois de quase doze horas de trabalho, ainda dou uma geral no que precisa ser feito no dia seguinte. Levar trabalho para casa é básico. Depois, confesso, quando possível eu assisto novela... Sou noveleira, fazer? Sem contar que esse momento de brigar com os personagens como se eles estivessem na sala de casa é um tipo de abrandamento da adrenalina do dia. Faz com que eu perceba que estou em casa.

Porém, a pergunta recorrente é Carla, sua doida, como você trabalha tudo isso e ainda assiste um monte de séries?. Eu assisto um monte de séries, o que não deixa de caber na minha categoria de noveleira. Assisto, acompanho, descabelo-me de acordo com a trama. E adoro escrever a respeito. A pergunta recorrente que vem em segundo lugar é Carla, sua doida, como você trabalha tudo isso e ainda assiste um monte de filmes?. Assisto mesmo... Adoro cinema, apesar de ser péssima frequentadora das salas de cinema. Não alugo apenas um filme, só quando me dá na louca de pegar lançamento. Fora isso, saio sempre com o mínimo de cinco filmes da locadora.

A resposta para ambas as recorrentes perguntas é insônia.

Não fosse a insônia, eu não teria encarado a maratona de House MD. Não comecei a assistir a série quando foi lançada. A verdade é que me tornar fã do Dr. House não estava na minha lista. Minha tevê não tem o canal no qual a série é veiculada, então passou batido por um tempo. Até que eu soube que, no episódio 15 da terceira temporada, o Dave Matthews - aquele mesmo, da Dave Matthews Band, que eu adoro, assumidamente – fez uma participação. Como não é de mim assistir episódio isolados de séries, fui até a locadora e peguei as três primeiras temporadas. Foi o período em que bati meu recorde... Dormia duas, no máximo três horas por noite, só para chegar ao próximo episódio. Quando cheguei ao episódio em questão, House já tinha me ganhado.

O mesmo aconteceu com Dexter. Assisti um episódio na tevê, mas me deu calafrios. Como assim um serial killer trabalhando na polícia? Deixei de lado, até que um amigo falou com tanto entusiasmo da série que decidi colocar meu gosto em pratos limpos. Aluguei as 3 temporadas, a quarta estava passando na tevê. Não há como não cair de amores por essa série, e pelo serial killer em si. É fantástico como as coisas parecem mais simples sob o olhar dele, o que é meio absurdo, não? É... Mas a série é fantástica!

Na semana que passou, confisquei os cinco filmes que queria assistir na companhia da minha insônia. Confesso, sem muito ânimo, que peguei o terceiro da série do vampiro Edward e da indecisa Ella, mas só porque havia assistido os outros dois, e porque confiro tudo o que tem o tema vampiro. Definitivamente, não são filmes que me agradaram, mas apenas me fizeram pensar com mais gosto na obra-prima Drácula de Bram Stocker (Bram Stocker’s Dracula/1992), no Entrevista com o vampiro (The Vampire Chronicles/1994), n'A Rainha dos condenados (Queen of the Damned/2002) e por aí vai. Também, por indicação, peguei uma comédia daquelas fofas e sacanas, que a gente assiste, mas não fica muito tempo na memória.

Porém 3 filmes da leva foram de colocar qualquer insônia na ativa: Contra corrente (Against the Current/2009), sobre um homem que, ao completar cinco anos da morte da esposa grávida, decide atravessar o Rio Hudson e cometer suicídio, depois de concluir essa jornada. A viagem é feita com um amigo e uma conhecida desse amigo. É melancólico, no que a trilha sonora ajuda muito, e um belo filme.

O segredo dos seus olhos (El Secreto de sus Ojos/2009), um filme muito interessante, que mostra como alguns personagens reagiram a um assassinato, e as consequências disso durante os vinte e cinco anos que se seguiram. Adoro o diretor Juan José Campanella, e acho que a parceria dele com o ator Ricardo Darin tem dado ótimos frutos. Não vou dar detalhes sobre o filme... Assista que vale a pena!

Para fechar a minha sessão-insônia, um filme que me fez rir do jeito que gosto. Não sou fã de besteirol, gosto de comédias com bons atores e boas histórias, com tiradas interessantes. E quando essa comédia envolve um Robert Downey Jr. (Fernanda, lembrei de você!) em um ótimo momento, e o hilário Zach Galifianakis, então estou bem. Um parto de viagem (Duo Date/2010) é daqueles filmes para se comprar, e em noites de insônia, assisti-lo só para quebrar o silêncio da madrugada, mas com gargalhadas.

E pode parecer bobagem, mas para mim funciona muito bem. Em noites de insônia, regadas a filmes e séries, as duas ou três horas que durmo são suficientes para me deixar bem no dia seguinte.



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6 comentários:

fernanda disse...

Carla, meu caso é justamente o contrário. Eu durmo demais. Muitas vezes, até no cinema. Já vendo filme em casa é ótimo porque sempre posso voltar na parte onde parei. E a culpa nem é da qualidade do filme...já dormi assistindo meus filmes preferidos. Mas Um Parto de Viagem e vi do início ao fim, sem piscar. Por que será? rs

Bjos!

Marilza disse...

Carla, obrigada pelas dicas.
Gosto muito do R Downey Jr...vou assistir.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Enfim explicado o GRANDE mistério da Carla. :) Eu, como sou dorminhoco, não dou conta disso tudo. :(

Marisa Nascimento disse...

Carla, eu ando com um ritmo complicado de trabalho, tanto que ando vindo aqui no Crônica bem menos que gostaria. Mas agora vendo tudo que você faz com suas 24 horas, fico até envergonhada e bem abusada, porque ainda aproveito suas valiosas sugestões. :)

albir disse...

Carla,
queria ter uma insônia assim produtiva. As minhas são catatônicas, não faço, não descanço, o sono vem quando eu levanto e me persegue o dia todo.

Carla Dias disse...

Fernanda... Morro de inveja de quem dorme fácil, fácil. Cinema, televisão, livros, nada disso piora o meu sono. Na verdade, gasto muito tempo com eles, durante a insônia. Ah... A gente não pisca quando está sonhando com o amor da nossa vida.

Marilza... Depois me diga o que achou do filme!

Eduardo... rsrsrsrs Será que um dia, sem mais nem por que, eu me transformarei numa dorminhoca? Olha lá que eu queria passar por isso, pra saber se vou gostar ou sentir saudade da minha insônia.

Marisa... Ah, mas eu não recomendo! Sabe qual é a pegadinha? Fazer mil coisas, ficar com insônia crônica e se sentir tão cansada que nem consegue aproveitar direito o tempo que tem livre. Tá tudo certo! Continue no seu ‘tempo’.

Albir... Eu confesso que dei sorte em transformar minha insônia em algo produtivo. Posso assistir tevê ou um filme do DVD, ouvir música, escrever, ler, mas sou incapaz de aproveitar esse tempo para tarefas cotidianas. Seria lindo se essa insônia me permitisse fazer a limpeza da casa, lavar roupa...