quarta-feira, 1 de junho de 2011

PRA QUEM TEM O DOM >> Carla Dias >>

Foto © Thiago Figueiredo


“The “What if” aspect of the dream, when taken to its conclusion, calls for a “How to” solution. That is what vision is. The ability to put your dream into motion. The ability to carve our piece of the puzzle with the specific details that we have designed”
Dom Famularo


Estou lendo esse livro, e já faz um bom tempo, porque é em inglês e claro que demora mais, ao menos no meu caso. O andamento da leitura é outro. Até que a forma como o autor escreve é simples, como ele fala, mas é a primeira vez que leio um livro inteirinho em outro idioma – são quase 350 páginas de outro jeito de dizer acontecimentos.

O livro é interessante em muitos aspectos, tanto que não vejo problema em falar sobre ele, ainda que não tenha terminado de lê-lo. O autor é um baterista mundialmente conhecido por seu trabalho como educador e, principalmente, comunicador. Eu o conheci em 1999, quando fizemos a produção de um evento em São Paulo e em Brasília, aqui pelo IBVF (Instituto de Bateria Vera Figueiredo, onde trabalho). Porém, foi no ano passado, quando ele veio para participar do Batuka! Brasil, que me dei conta da importância do que ele ensina.

Você já deve estar pensando o que você tem a ver com isso. Afinal, livro de bateria interessa somente aos bateristas, certo? Não neste caso... O livro não é um método para bateria, não aborda a música didaticamente.

Dom Famularo, no meu entender, não é somente um baterista excepcional, um comunicador motivacional de primeira, alguém capaz de inspirar o outro através da música e da sua própria experiência de vida. Ele é, acima de tudo, um talentoso contador de histórias. E por isso ficamos todos boquiabertos com o que ele disse, durante a sua passagem pelo festival, assim como fascinados pelo tempo que passamos em sua companhia no backstage ou aqui na escola.

Ele viaja pelo mundo tocando bateria, ensinando música e inspirando pessoas. Esse é o trabalho que ele vem fazendo há mais de 30 anos. No livro, ele nos conta como começou sua relação com a música, com a bateria, mas como um digno contador de histórias, ele desfia o terço com uma graça, apegando-se à profundidade do momento. É assim que nos pegamos envolvidos que só com as passagens sobre como ele escolheu ser um baterista e o pai não via isso como profissão, então ele teve de convencê-lo, por exemplo. E você compreenderá a beleza do feito ainda que a sua escolha não tenha sido a bateria, mas qualquer outro sonho que desejou transformar em profissão, em vida.

Dom Famularo se vale das histórias de pessoas que conheceu para abrilhantar a redação, além das suas próprias experiências. Às vezes, busca na própria história de seu país, os Estados Unidos, exemplos para suas abordagens. A sua percepção sobre o outro, sobre a situação do outro, se dá pela contemplação.

“The Cycle of Self Empowerment” é um livro de autoajuda, mas graças ao cenário, a música, é dos divertidos, com histórias fantásticas, e ideias interessantíssimas sobre como equilibrar sonho e realidade. Aliás, quem não sabe que grandes descobertas foram, em algum momento, apenas um sonho? Foram impossibilidades que se tornaram possíveis mediante a insistência de seus autores?


Quando Dom se apresentou no Batuka!, eu convidei vários amigos que não são músicos para assistirem ao workshop dele. Insisti que mesmo que não suportassem o instrumento, amariam o tempo que passariam à mercê desse contador de histórias. Dito, feito e com efeito dos bons. Não há como não sair tocado, de alguma forma, dessa experiência.

Ainda falta muito para eu terminar de ler o livro, o que quero fazer antes da volta dele ao Brasil para o Batuka!, em julho deste ano. E eu quis apresentar o livro e seu autor a vocês, porque vale à pena e de tantas formas que só lendo para entender. Lamento não ter edição em português, mas quem se vira com o inglês conseguirá ler tranquilamente.



carladias.com

Partilhar

2 comentários:

albir disse...

Carla,
não conheço o autor, não conheço o livro, não sei nada sobre bateria -tenho medo de atingir o olho se tentar balançar uma baqueta. Mas se você diz que é bom, é bom.

Carla Dias disse...

Albir... Ah, acho que você adoraria aprender tocar bateria : )
Mas ainda bem que não precisa... O livro já é de grande valia. Beijos!