terça-feira, 14 de junho de 2011

GERAÇÃO DISNEY >> Clara Braga

Eu cresci assistindo aos desenhos animados da Disney. De Branca de Neve a Wall-E, foram poucos os que eu perdi. Na época em que ainda não existia DVD nem mp3, tão pouco programas para baixar música pela internet, eu comprava as fitas e CD´s das trilhas sonoras e assistia e ouvia até decorar as falas e as músicas.

Daí você tira a concepção deturpada que eu tinha, quando criança, sobre relacionamentos. Afinal, a Cinderela sofreu na mão da madrasta má antes do beijo de amor verdadeiro do príncipe do cavalo branco, a Branca de Neve comeu a maçã envenenada, a Ariel sofreu por não ter pés, a Bela se apaixonou por uma Fera horrível que, antes de virar príncipe, só a tratou mal e a fez prisioneira (história essa que eu considero a mais parecida com a realidade de muitas mulheres que aparecem nos jornais). E eu também ia acabar passando por alguma situação um tanto conturbada antes de achar meu “príncipe”.

Graças a Deus, o tempo passa, a gente cresce e tem a chance de repensar nossos conceitos. Se até a Disney tem lançado desenhos satirizando os contos de fadas, o que seria de mim se ainda esperasse o tal do cavalo branco?

Para mim, o príncipe de hoje é aquele que tem seus erros e defeitos, sabe que você tem os seus, e vocês aprendem a conviver com isso. Ah, e claro, para mim, para ser príncipe é essencial acreditar em monogamia. Pelo que eu escuto por ai está mais fácil príncipe virar sapo. Sorte que eu encontrei um que, em vez de cavalo, apareceu de Fox vermelho, mas está valendo.

Mas não é só porque nos dias de hoje as coisas estão mais complicadas que as histórias verdadeiras e bonitas de amor deixaram de existir. Recentemente, uma amiga minha, maquiadora, estava maquiando uma mulher e essa contou a ela sua história de amor.

Ela é uma moça simples, não teve muita oportunidade de estudo e ganhava a vida trabalhando no caixa de uma farmácia. Um dia, conheceu um cliente, eles se apaixonaram e ele, italiano, a carregou para a Itália . Lá ela trabalhou em dois filmes e estava muito contente porque no segundo ela tinha até fala. E também teve a oportunidade de viajar para vários locais diferentes, e um dos que mais gostou foi Milão, pois lá você fica bonita 24 horas por dia. É tão frio, que você precisa ficar com aqueles casacões lindos o dia todo, então até quando limpava a casa ela se sentia bonita. Agora ela estava de volta com o marido em Brasília, muito feliz e apaixonada, sem contar a alegria das oportunidades que esse amor a deu.

Com certeza, é uma escolha difícil largar tudo e todos para trás e apostar em um amor assim repentino. E com certeza os momentos difíceis existiram, pois não é fácil estar em outro país sem saber nem como se comunicar. Mas a gente sabe que fez a escolha certa quando, apesar de ser difícil e complicado estar com alguém, a gente às vezes fica feliz até quando está limpando a casa.

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Muito bom, Clara. Uma ideia interessante e bem desenvolvida, com um final caprichado.

O Namorado disse...

Mas meu carro é azul!!

Mentirinha...

Bjoooo

Alexandra Gadelha disse...

=D
Minha história serve de inspiração e vc nem me conta! Bandida! =***
Amei