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AJUDE UMA RAINHA FRUSTRADA
>> Fernanda Pinho



Se eu gosto de festa junina? Eu poderia até dizer que adoro. Seria simpático. Mas não muito sincero. O que eu adoro mesmo são comidas de festa junina. Canjica, caldos, pipoca, pé-de-moleque, quentão. Fora isso, acho que nada mais me atrai. Detesto sentir frio - como já foi largamente divulgado pela imprensa mundial - e em festa junina sempre faz frio. Também não tenho o menor talento e pontaria para ganhar alguma coisa naquelas brincadeiras típicas. Mas e a quadrilha? Nossa, maior trauma da minha infância. Por dois motivos. O primeiro, nem preciso comentar, aí está a foto autoexplicativa. Porque diabos me colocavam sempre pra dançar com os meninos minúsculos? Tudo bem. A culpa não era deles. Eu que sempre fui grandinha além da conta. Mas, pôxa, não é possível que não existisse um garoto mais compatível!


Não bastasse esse bullying, eu nunca consegui realizar meu desejo de ser Rainha da Pipoca. E não foi por falta de tentativa, pois minha mãe se empenhava muito nas minhas campanhas. Para ser eleita Rainha da Pipoca (ou Rei do Amendoim, no caso dos meninos... aqueles baixinhos) era preciso vender o maior número de votos possível (igual as eleições brasileiras, só que ao contrário). E eu vendia, vendia muito. Ou melhor, minha mãe vendia, pois é ótima em convencer qualquer pessoa a fazer qualquer coisa. De nada adiantava. Em todos os anos que competi, só consegui ser Princesa da Pipoca. E, veja bem, hoje eu penso que deveríamos ter aberto uma CPI da Hierarquia Pipoqueira, porque a Rainha eleita era sempre a sobrinha da diretora do Jardim!


Quer dizer, no fundo, eu era a Rainha moral. Mas, infelizmente, o nepotismo nunca me deixou ser coroada. Na época eu ficava frustrada, mas hoje vejo que ser a Princesa era uma façanha que eu conquistava graças à lábia da minha mãe. Se dependesse do meu talento para vender alguma coisa, eu não seria eleita nem a Catadora do Milho da Pipoca da Rainha. Porque, olha, não consigo vender nem nota de R$ 50 por dois reais.


Por isso, nem tento. Não vendo votos, nem rifas, nem Natura, nem Avon. Me limito a vender ideias. E, hoje, gostaria de vender para vocês a ideia do nosso livro. O "Acaba não, mundo", primeiro livro do Crônica do Dia. Como comprar essa ideia? Acessando nossa página no Catarse. Toda contribuição é bem-vinda. Colaborando com o valor de R$ 19, por exemplo, você tem seu nome divulgado na página de agradecimentos do livro. Com R$ 39, você garante seu exemplar. Que tal?


Ser uma cronista publicada certamente amenizará meu trauma de nunca ter sido Rainha da Pipoca...

Comentários

Fernanda, a foto é magnífica. E o texto é de amolocer o coração, e o bolso, de qualquer leitor. :)
O máximo que consegui foi um terceiro lugar no Miss Caipirinha quando eu estava na quarta série. E, detalhe, meu par também era um menino minúsculo. Padecemos do mesmo bullying de pares incompatíveis, minha amiga. Por isso que eu digo, já que eu não acerto no par, vou estudar, trabalhar e quem sabe, ficar rica um dia (rs!). Você já está neste caminho lindo vendendo idéias e deleite aos nossos olhos, portanto, não faltarão súditos à rainha... Seu desejo é uma ordem! Beijos
*Fê* disse…
Oi Fernanda,
Concordo com você em todas as questões juninas... Parece que li minha vida! NUnca consegui o trono tão sonhado! A unica rainha que consegui ser foi a rainha ( bruxa) da Branca de neve!!!!
Tô dentro do Acaba não Mundo!
Parabéns!! Bjao
Fernanda, para te consolar: com minha sobrinha foi um pouquinho pior, o minúsculo par dela deixou-a sozinha na pista de dança e correu para a mãe dele. Até hoje ela detesta o fujão. :)
E quanto ao livro, todo dia consulto a página para ver quanto falta.
Anônimo disse…
você não precisa ser rainha de nada porque já é minha eterna rainha...

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