terça-feira, 7 de junho de 2011

PROBLEMAS GENÉTICOS >> Clara Braga

Eu não entendo absolutamente nada de genética. Sei que sou o que sou por causa de uma mistura qualquer do meu pai com a minha mãe, e que algumas características que eu tenho iguais ou parecidas com qualquer um dos dois, as pessoas dizem que é a genética.

Uma característica que eu tenho igual à minha mãe é a falta de memória. A dela é um pouco pior que a minha, mas ela já me confortou dizendo que, quando eu chegar à idade dela, posso até estar pior que ela. Eu não sei se memória também tem a ver com genética, mas se tiver eu estou lascada, pois agora meu pai começou a esquecer as coisas também.

Se eu juntar o esquecimento de um com o esquecimento do outro, daqui a uns anos não saberei dizer nem o meu nome. Já para eles, acho que foi uma solução. Antes, minha mãe contava algo e meu pai dizia, um pouco impaciente: “Você já me contou isso”. Hoje em dia, pego os dois tendo os mesmos diálogos que tiveram no dia anterior, mas dessa vez sou eu quem fala: “Vocês já tiveram essa conversa!”.

As conversas que eu tenho, ainda lembro, pelo menos eu acho que lembro, pode ser que eu esteja até escrevendo uma crônica bem parecida com outra anterior e não me dei conta, mas como ninguém reclamou ainda eu continuo achando que lembro das coisas. O meu problema é com datas, placas de carro, telefones, no geral tudo que envolve números é difícil para mim.

Ao longo dos anos, venho tentando desenvolver técnicas que me ajudem a lembrar dos números, meses e placas, mas até agora poucas coisas funcionaram. Telefones, eu só decoro quando ligo muito para um mesmo número, mais de uma vez ao dia. Aniversários, eu só lembro os que são perto do meu, e mesmo assim erro o dia, só sei que é perto. A placa do meu carro eu nunca decorei os números, mas sei que as letras são JGE porque um dia minha mãe comentou que a placa do carro tinha as iniciais de todo mundo da família, José, meu pai, Gabriel, meu irmão e Eliane, minha mãe, me excluindo literalmente da família. Fiquei tão chateada que nunca mais esqueci essas benditas letras.

Recentemente, me lembrei de um fato importante. Na última quinta-feira, a Fernanda Pinho escreveu uma crônica belíssima falando da sua facilidade com datas e lembrando de que há um ano começou a escrever aqui no Crônica do Dia. Assim que li sua crônica, lembrei que na primeira crônica que eu escrevi, ela, muito simpática, comentou algo que eu não vou recordar com detalhes, mas dizia que, para ela, era bom saber que não estava começando sozinha. O que me levou à conclusão de que eu também estou completando um ano de Crônica do Dia. Obrigada pela lembrança, Fernanda. Obrigada a todos os cronistas pela oportunidade e obrigada a todos os leitores, esse um ano foi muito bom.

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4 comentários:

albir disse...

Parabéns, Clara, pra você e pra nós, pelas suas crônicas, esperando que você continue aqui por muitos outros anos.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, assim como a crônica de 1 ano da Fernanda, a sua também está uma delícia. Que bom que eu consegui trazer vocês duas para escreverem tão bonito por aqui. Continuemos...

Ana Braga disse...

Clara, se já tens consciência do problema, faça alguma coisa! Não espere! Não aceite! Afasta, isso não lhe pertence.
Parabéns pelo 1º aniversário, sou sua fã.

fernanda disse...

Parabéns pra gente, Clara!
Prometo te lembrar da data pelos próximos anos =)