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PRÓDIGO >> Eduardo Loureiro Jr.

Desde criança, escuto a Parábola do Filho Pródigo. Mas só ontem a vivi.

É a história de um pai que tem dois filhos. O mais novo deles pede ao pai uma antecipação da herança e sai pelo mundo, esbanjando riquezas. Quando fica sem dinheiro, passa a trabalhar em condições miseráveis e lhe ocorre voltar para casa, pedindo que seu pai lhe aceite como um de seus empregados. O pai recebe o filho mais novo de braços abertos e com grande festa, despertando a indignação do filho mais velho que, ao voltar do trabalho, ao final do dia, reclama da situação com o pai. Este lhe responde: "Meu filho, tu estás sempre comigo. Tudo que tenho é teu".

Eu vivi esta parábola no papel de "filho mais velho", vendo um "irmão" rebelde, não cumpridor dos seus deveres, receber do "pai" uma atenção especial que não me havia sido dispensada. Quando reclamei com o "pai" a respeito de tamanha injustiça, ele me disse:

— Justiça não é dar a todos uma porção igual, é dar a cada um segundo a sua necessidade. Se todos receberem o mesmo, cada qual não perceberá mais a sua necessidade específica. Identifique a sua própria necessidade, e peça para que ela seja atendida, pois assim será.

Só hoje, após ter vivido a história, tive vontade de saber o significado da palavra "pródigo".

Segundo o Houaiss, ela tem três significados: 1) aquele que dissipa seus bens; 2) aquele que é generoso ao dar; e 3) aquele que produz em abundância.

Segundo essas definições, pródigos são os dois filhos: o mais novo, que esbanja; o mais velho, que produz. E pródigo também é o pai, em sua generosidade. A prodigalidade se manifesta, na parábola, em suas três dimensões: a de quem produz, a de quem usa e a de quem dá.

E eu descobri que posso ser triplamente pródigo: criando, distribuindo e usufruindo.

Comentários

Marilza disse…
Que lindo Eduardo! é isso aí, ser pródigo também é ser humildade pra reconhecer e aceitar certas coisas.
albir disse…
Nós já o sabíamos pródigo, Edu. Pelo menos no sentido de generoso em criar e distribuir.
fernanda disse…
Ah, Eduardo, nunca duvidei da sua prodigalidade (e também nunca havia escrito essa palavra).
Beijos!
Marilza, Albir e Fernanda, vocês são muitos PRÓDIGOS (2) em relação a mim. :)

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