domingo, 20 de março de 2011

CERTAS CANÇÕES >> Eduardo Loureiro Jr.

As canções mais tolas — tendo seus defeitos — sabem diagnosticar o que vai no peito. Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz? Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores, aquele que no peito ainda abriga recordações dos seus grandes amores. Para quem bem viveu o amor, duas vidas que abrem não acabam com a luz. Eu me possuo e é na sua intenção. É um carinho guardado no cofre de um coração que voou. E quem voou, no pensamento ficou. É um afeto deixado nas veias de um coração que ficou. E quem ficou, no pensamento voou. É a certeza da eterna presença da vida que foi na vida que vai. É saudade da boa, se a gente lembra só por lembrar o amor que a gente um dia perdeu. Ela me encontrou, eu estava por aí num estado emocional tão ruim já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada. Ela demonstrou tanto prazer de estar em minha companhia e eu experimentei uma sensação que até então não conhecia: de se querer bem, de se querer quem se tem. E éramos olharmo-nos, intacta retina. Vem sentar-te comigo, Lídia. Se a gente não fizesse tudo tão depressa, poderia ter vivido um amor Grande Hotel. Desenlacemos as mãos. O amor só dura em liberdade. Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias. Saboroso é o amor, fruta boa. Coração é o quintal da pessoa. Você bota a mesa, eu como, eu como você. É pequeno o nosso amor, tão diário. É imenso o nosso amor, não eterno. Se eu te amo e tu me amas, e outro vem quando tu chamas, como poderei te censurar? Ah, que bom seria se eu pudesse te abraçar, beijar, sentir como a primeira vez. Meu castelo tão bonito, você fez desmoronar. Eu não consigo esquecer você, ouça meu bem o que vou lhe dizer: não adianta nem me abandonar, porque mistério sempre há de pintar por aí. Quando olhaste bem nos olhos meus, e teu olhar era de adeus, meu mundo caiu. Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor do peito. Estrela, estrela, como ser assim tão só e nunca sofrer? Não sei andar sozinho por essas ruas. Procurei em todas as mulheres a felicidade. Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos para ver as meninas. Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, num doce balanço a caminho do mar. Seus olhos e seus olhares, milhares de tentações. Feiticeira, feiticeira. Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juízo. Passas sem ver teu vigia catando a poesia que entornas no chão. Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo. Se te dou esse conselho, é pra tu sair da asneira: se tu não quer, tem quem queira. Agora não vou mais chorar, cansei de esperar, estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim. Preciso acabar logo com isso e, pra começar, eu só vou gostar de quem gosta de mim. Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, me absorvendo. Eu poderia ficar sempre assim, como uma casa sombria, uma casa vazia sem luz nem calor. Desacostumei de carinho. Não pegue desse jeito em mim. Um toque de mão, basta um gesto, e eu esqueço o resto. Eu sou tão machucado... Eu nunca fui paixão de ninguém, e sempre o tolo apaixonado. Eu desacreditei de amor, hoje tenho apenas uma pedra no meu peito, não sou mais um sonhador, porque é o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Mas eis que de repente quem era a pedra bruta virou a própria flor do amor em forma absoluta. Foi então que da minha infinita tristeza aconteceu você. Quando você chega na classe, nem sabe quanta diferença que faz. Me apareceu e com apenas um toque de sua magia, acabou-se a tristeza, me trazendo alegria. Se você quer ser minha namorada, ah, que linda namorada você poderia ser. Eu te proponho nós nos amarmos. Vou ficar até o fim do dia, decorando tua geografia. Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim, como se fosse o sol desvirginando a madrugada. Amanhã de manhã, eu não quero nenhum compromisso, tanto tempo esperando por isso, desfrutemos de tudo. E foi bom e pra sempre será — maravilhosamente — amar.





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13 comentários:

Silvana Nazareth disse...

Ai, ai...

Me vi na crônica Edu. Linda!

Beijo

marina silvia disse...

Eduardo Loureiro Jr., menestrel e cronista da MPB, seu texto é como um jogo da memória: cada vez que a gente acerta, ganha milhas; quando termina, a gente pousa.

albir disse...

Edu,
o comentário acima é meu. Só depois de enviar percebi que estava na conta da minha irmã. Mas tenho certeza de que ela compartilha minha opinião.
Abraço.

Marilza disse...

Bela coletânea! Escolhida à dedo, pra reiterar que o amor continua movendo as pessoas;

fernanda disse...

Meus amores estão todos aí! =)

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Quer dizer que lhe peguei no flagra, Silvana? :)

Albir, e eu que pensei que tinha ganho uma nova leitora. :) Gostei da associação com o Jogo da Memória.

É, Marilza, o amor move o mundo.

Todos não, Fernanda, pois falta o seu Verissimo. :) Mas quer dizer que você tem um monte de amores, é?

Fernanda disse...

que coisa mais linda, Edu!
são todos meus amores também :)

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato, Fernanda. Será que o significado da palavra "fernanda" é "aquela que tem amores"? :)

Carla Dias disse...

Enquanto lia, impossível não cantarolar. Obrigada por me fazer relembrar de tantas canções que há tempos não soavam dentro de mim.

carisia disse...

Edu,
É por essa razão que nos apaixonamos por você...
Lindo demais...
Carisia

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, você é uma bela caixa de ressonância. :)

Assim você me deixa rubro de vergonha, Carísia.

Lidia disse...

Junior, querido!
Nunca demorei tanto a ler uma cronica sua...que delicia! Adorei seu labirinto musical!
Beijoca

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Querida Lídia, nessa nossa brincadeira, não há demora. Tudo é tempo certo. :)