terça-feira, 2 de novembro de 2010

EPITÁFIO >> Clara Braga

Qualquer pessoa que já tenha perdido algum ente querido sabe que a dor da perda não é fácil. Ter que se despedir de alguém que você ama nunca vai ser fácil, e é por isso que as pessoas choram. Mas o que me intriga é que as vezes algumas pessoas choram mais pelos seus ídolos do que por alguém de sua família. Por quê?

A história está cheia de casos assim. Kurt Coubain quando morreu, levou vários com ele. John Lennon recebe homenagens até hoje e, de quebra, ainda foi alvo da criação da famosa expressão: "está crente que é a bala que matou John Lennon". Mamonas Assassinas conseguiu lançar CD até depois de morrer. E por aí vai, a lista é longa: Lady Diana, Frank Sinatra, Tim Maia, Elis Regina, Dercy Gonçalves (essa foi piada) e Keith Richards — que já morreu, só esqueceram de contar isso pra ele e assim por diante.

Eu poderia passar o dia todo aqui lembrando de grandes celebridades que morreram e pararam o mundo, mas eu vou direto ao ponto mais recente: Michael Jackson. Não importa o que ele tenha feito, não interessa se ele era pedófilo ou não, se ele estava deformado ou não, se ele já estava meio passado quando balançou o filho na sacada para mostrar ao mundo, se ele vale mais morto do que vivo, etc. O que importa é que ele é o Rei do Pop e o mundo inteiro chorou quando o rei morreu, o rei das coreografias fantásticas, o rei dos clipes longos, o rei das músicas boas, o rei da MTV, enfim... ele morreu como o rei.

Todos os fãs e familiares pareciam sofrer demais com a partirda do rei, mas para mim quem realmente sofreu com a morte de Michael Jackson foi a pantera Farrah Fawcett. Considerada uma das mulheres mais bonitas da década de 70, Farrah morreu durante tratamento de câncer no fígado. Ela dizia o quanto era difícil fazer esse tratamento com a mídia atrás dela, afinal uma das mulheres mais bonitas da década de 70 estava sendo destruída aos poucos por causa da doença. E justo no dia de sua morte, quando não precisaria mais se preocupar com paparazzi, com 365 dias diferentes para se morrer em um ano, ela morreu um pouco, bem pouco antes de Michael Jackson — ninguém nem lembrou dela.

Ironias à parte, ainda tem muita gente por aí que vai causar muvuca quando morrer. E se vocês estiverem sentindo falta de Elvis nessa minha lista, entendam que eu não posso falar dele, afinal Elvis não morreu!

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4 comentários:

JP disse...

quem disse que o michael jackson morreu?heeheh

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, essa foi a crônica de Finados mais original que já li. :) Muito boa!

Clara Braga disse...

Poxa, que bom! fico muito feliz em saber!

fernanda disse...

Já ia sentindo falta de Elvis no seu texto mesmo, assim como sinto falta dele na vida, mesmo ele tendo desaparecido - e não morrido, claro - bem antes de eu nascer.