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BUSCA [Debora Bottcher]

A moça queria prometer que amanhã vai acordar mais feliz e ter um dia mais leve. Que vai sorrir mais e tornar as horas menos densas.

A moça deseja amanhecer sem sentir-se sufocada - como se o sol lhe ardesse a pele tirando-lhe o ar fazendo-a sentir-se como quem vai desaparecer pra sempre, nunca mais respirar...

A moça gostaria de selar um compromisso com a paz, mas a vida anda lhe doendo um pouco e tem sido difícil sobreviver.

Quando, de repente, ela se pega admirando a lua, quase não consegue entender o silêncio de luz que a embala debaixo do manto azul do céu e uma certa quietude interior a abraça; mas ao baixar os olhos ao redor, esse deslumbre se desvanece e uma curiosa escuridão novamente se instala.

A moça sente saudades do que não consegue se lembrar...

Alguém vai dizer a ela que a vida é assim: de altos e baixos, alegrias e dores, amor e indiferença, incompreensões e sentimentos desconexos.

A certa altura, a moça sabe que todos finalmente se rendem a essa idéia e ela acredita que verdadeiramente se seja capaz de compreender os ciclos de ventura e desilusão.

Mas ainda é cedo para ela: a moça ainda não aceita essa rotina escancarada de mesmice, essa angústia, essa indescritível irritação, um curioso medo.

E procura, incansável, pelas frestas, pelas bordas, pelas fendas do tempo aquele raio de esperança que ela acredita existir...

Comentários

Fernanda disse…
que estranho, é como se eu tivesse escrito isso... sem palavras!
Marilza disse…
Parece escrito pra mim....coube direitinho no meu atual momento...
Oi, Debora!
Saudades de te ler...
Como sempre você escreve o que as pessoas precisam ler e o que gostariam de ter escrito também. Parece que você consegue entrar na alma de cada um. Acredito que isso aconteça porque você também deva viver e sentir esses momentos que escreve. Só que você tem o dom de traduzir isso em palavras, por isso você é única! Beijos!
albir disse…
Que beleza de texto, Debora.
Parabéns!

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