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AS VERDADEIRAS MULHERES-MARAVILHAS
>> Clara Braga

Com toda essa falação que está tendo agora sobre termos a primeira mulher presidente no Brasil, apesar das piadas que dizem que nossa chance de ter uma mulher na presidência acabou quando a Marina não foi pro segundo turno, eu acabei pensando naquela velha história do quanto o mundo é machista e as mulheres tiveram que conquistar seu lugar.

Quando eu fiz intercâmbio, fiquei fora 5 meses e foi aí que eu aprendi a me virar sozinha, comecei a cozinhar, passar, lavar, fazer compras e ainda tinha os estudos e, claro, a diversão. Até eu conseguir conciliar isso tudo, apanhei muito, e foi aí que comecei a valorizar mais pessoas como a minha própria mãe, que faz tudo isso com as mãos nas costas.

Apesar desse papo já ser batido, o fato é que existiram, sim, mulheres importantes na história que lutaram e conquistaram direitos que facilitaram a vida de todas as outras mulheres. Podemos até citar nomes, como por exemplo Joana d´Arc e Anita Garibaldi, mas já notaram que a lista não é assim tão grande? Acho que isso acontece porque no fundo todas as mulheres são batalhadoras, não dá para citar um nome, todas de alguma forma tiveram que lutar pelo seu lugar. Mas eu ainda considero que as verdadeiras mulheres-maravilhas são essas que não aparecem em livros, não ganham biografia, não aparecem na manchete do jornal e nunca apareceram no plantão da Globo. Elas são as donas-de-casa, trabalhadoras e mães de família, tudo ao mesmo tempo! Sim, elas existem, onde? Vai por mim, é difícil encontrar, elas têm que estar sempre em vários lugares ao mesmo tempo, dando atenção a várias pessoas, além de cozinhar, passar, estar no trabalho na hora certa e buscar as crianças na escola.

Não estou aqui fazendo um discurso feminista dizendo que as mulheres são ótimas sozinhas e se bastam, não é isso, mas realmente me impressiona o malabarismo que algumas fazem. Aprendi a apreciar isso e valorizar. Eu mesma sou uma vergonha para essas mulheres-maravilhas que não usam uniforme sexy mas salvam o mundo, e minhas últimas experiências serviram para eu aprender a nunca mais criticar minha mãe quando ela esquece de comprar a batata palha pra comer com o strogonoff.

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