sábado, 13 de novembro de 2010

COLA NUNCA, MOLA SEMPRE
[Maria Rita Lemos]

Tristeza não é “mania de rico”, longe disso. Melancolia e tristeza são sensações que todo mundo já teve ou terá durante a vida, não dá para escapar. O que difere é a forma como as pessoas lidam com esses sentimentos. Tem gente que prefere tomar um porre, na ânsia de esquecer, como tem gente que se tranca no quarto e chora até parecer que alguém da família desencarnou...

Não importa a forma como se passa por uma “fossa” — o outro nome como podemos chamar esses maus dias —, o pior que se pode fazer é fingir que nada está acontecendo, engatar a primeira e seguir em frente, negando a dor e o mau momento.

Toda tristeza, bem como toda alegria, tem que ser encarada de frente, vivida com toda intensidade, senão vai ficar difícil superar. Quando nos recusamos a olhar para a cara feia da dor, ela fica encravada, como um parasita ou um corpo estranho debaixo da pele, dentro de nós, e cedo ou tarde vai fazer um estrago, inclusive manifestando-se em forma de cálculos renais, gastrite, problemas intestinais, dermatites de todos os tipos.

Nem sempre achamos a causa, mas podemos apostar numa ou em várias tristezas não examinadas... Elas têm sua forma de vingança, quando ignoradas — e essas que citei são apenas algumas delas. Negar o sofrimento pode não só adoecer o corpo como causar estragos no emocional, inclusive levando a dependências químicas (alcoolismo também se enquadra aí), fobias sociais e de pânico, quadros depressivos crônicos, etc.

Lígia Guerra, psicóloga paulista, professora da Escola Paulista de Psicologia Aplicada (EPPA), estudou principalmente as fases depressivas causadas por rompimentos de relacionamentos afetivos. O sofrimento e sentimento de perda são sempre intensos, principalmente quando a pessoa que foi “abandonada” pensa que não vai conseguir viver sem a pessoa amada.

Apesar de tudo, é preciso lamber as feridas, olhar para o sofrimento sem medo, colocando na balança que toda mudança pode e traz sempre benefícios, mesmo que não pareça. Depois dessa fase de luto é que chega o momento de engatar a primeira e seguir em frente, talvez em novas direções... quem sabe?

Talvez seja o momento de se reinventar, mudar o cabelo, reformar o guarda roupa, retomar aquele curso tão sonhado e nunca feito... A tristeza pode ser um trampolim para outra fase, muito diferente, mas muito melhor. O fundo do buraco deve ser uma mola, nunca uma cola!

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Um comentário:

Marilza disse...

Maria Rita, belo texto. A gente sofre, cai, levanta. Infelizmente, há pessoas que nunca engatam a 1ª marcha e vivem eternamente em ponto morto.

Bjs