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AMOINTERNET.COM.BR >> Fernanda Pinho


Embora todas as anotações das minhas entrevistas estejam bem aqui, no meu bloquinho de papel, e embora eu redija todas as minhas matérias no Word, não consigo trabalhar se meu computador não estiver ligado à internet. Vício, dependência, sei lá, chamem do que quiser. O fato é que o texto só flui se eu tiver a certeza de que, a qualquer momento, posso buscar uma informação antiga no meu e-mail, checar a aplicação de uma palavra na gramática on-line ou incrementar meu material com alguma pesquisa no deus Google. Se a Velox inventa de entrar em manutenção na região - o que acontece com mais frequência do que eu gostaria - danou-se! Nem tento desembolar o serviço. Largo tudo pra lá e me pergunto desolada: como os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein conseguiram investigar o caso Watergate e levar um presidente americano à renúncia sem internet? Como era possível ser jornalista sem internet? E vou além: como era possível viver sem internet? Sinceramente? Não sei e nem quero saber.

E nem adianta me olhar com essa cara feia, como quem diz: "você é uma louca que não sabe valorizar as relações reais, o contato físico e blablablá". Ai, humanos, por que temos que ser tão radicais? Por que sempre temos que escolher um lado? Por que insistir nessa divisão entre real e virtual? Eu é que não ouso optar por um só, fico com os dois e vivo muito bem assim. O mundo virtual e todos os aparatos que ele oferece facilita, e muito, minha vida real. E quanto mais a minha vida real acontece, quanto mais gente eu conheço, quanto mais eu me relaciono, quanto mais eu viajo (e aqui só estou falando de situações físicas) mais eu preciso do suporte virtual.

Só entende do que eu estou falando quem já sentiu o estômago gelar ao ver subir a plaquinha "Fulano acabou de entrar", no MSN. Quem já chorou litros lendo o e-mail de uma amiga que te compreende tão bem que nem parece estar a um Brasil inteiro de distância. Quem descobriu pelas fotos do Orkut a careta nova que seu primo de cinco anos, que agora mora na praia, aprendeu a fazer. Porque o fulano, a amiga e o primo existem na sua vida e existiriam mesmo que não houvesse a internet, mas a internet vem com esse plus da emoção no meio do expediente. Mexe com os sentidos, te desperta a vontade de ir atrás deles, abraçá-los, beijá-los. E é o que você acaba fazendo. Porque eles são tão reais quanto os sentimentos que as ferramentas virtuais são capazes de provocar.

Outro dia alguém me perguntou pra que que serve o Twitter e eu não soube explicar. Ou melhor, eu não quis explicar, porque não é assim tão simples. Não dá para fazer uma pessoa qualquer entender que o Twitter serve para eu saber que a Laís, lá em Curitiba, terminou sua monografia. Que a Sam, lá em Fortaleza, está participando da organização de uma festa pra um de seus amigos. Que a Thatha, lá em São Paulo, tem aula de pole dance hoje. Que a Taka, lá no Japão, foi passear no Sea Paradise. Que a Jujú e o Cláudio, lá em São Paulo, foram assaltados. E a quem interessa tudo isso? A mim, que sou amiga dessas pessoas e não quero perdê-las de vista. Quero saber o que acontece todos os dias para que, quando a gente se encontrar pessoalmente, nada entre nós tenha se perdido. É por isso que eu gosto tanto da internet.

Tá bom, tá bom. Não é só por isso. É também para rever as aberturas de novelas antigas e os clipes que passavam no Fantástico nos anos 80. É para jogar tarot on-line e ver o que as cartas pensam sobre fulano de tal. É para prospectar clientes para minha agência. É para reencontrar velhos amigos. É para comprar livros nos sebos virtuais. É para fazer novos amigos jogando buraco on-line (ok, quem faz isso não sou eu, é meu pai. Mas acho tão legal que resolvi me apropriar do fato). E também para causas menos nobres como fuçar o Orkut do cara que me esnobou na adolescência e delirar de alegria ao ver como ele está acabado.

Sou fiel à internet de segunda a sexta, porque quando chega o fim de semana eu vou me encontrar com as pessoas e fazer os programas que passamos a semana toda articulando... pela internet, claro.

Comentários

Assino embaixo, Fernanda! A gente quer o físico e o virtual. "A gente quer inteiro, e não pela metade."
Samara disse…
Viva à internet! Embora ela não seja o meu mundo, não imagino meu mundo sem ela. E vc explicou bem o porquê.
vanessa cony disse…
Realmente Fernanda.Somos viciados.É isso.Penso que há poucos anos nada disso existia mas tudo veio de forma rápida como uma avalanche .Hoje já faz parte de nós.Seria hipocrisia ou quem sabe falta de domínio, não sei .
O que sei é que mesmo os mais antigos se rendem a essa maravilhosa tecnologia que aproxima mesmo quando a distâcia existe.
Carla Dias disse…
Que bom, Fernanda, que você escreveu esta crônica. Assim, quando me perguntarem por que internet é bacana, faço um copy/paste e você explica... E desse jeito tão bacana quanto é a internet.
albir disse…
Pois é, Fernanda, mesmo meio analfabeto-digital, já fiquei internetodependente.
albir disse…
Pois é, Fernanda, mesmo meio analfabeto-digital, já fiquei internetodependente.
Jujú disse…
Onnnnn....brigada pela citação! Apesar do episódio triste! hihihi

Amiga, sou suspeita, afinal te conheci pela internet, conheci meu marido pela internet, e outros amigos tão maravilhosos e únicos em minha vida!

Sem ela nossa distância seria tão maior, e com a net, ela é "apenas" geográfica!

Amei o texto, como sempre...E como sempre também me identifiquei!

Beijocas e lindo fds!
Sá Luz disse…
Concordo em gênero, número e grau! Não consigo me imaginar longe da internet por um longe período... sem falar nas crises de abstinência que eu teria.
Já pensei em fundar algo como um IA (internautas anônimos) mas para que, se não quero me curar?
Primeiro: adorei ser citada ;)
Segundo: se não fosse o mundo virtual não teríamos nos conhecido, eu jamais saberia que existe alguém no Brasil com histórias parecidas e sobretudo muita compatibilidade de coração, opinião e preferências...
Beijos
Eu não vivo sem internet. É ela quem me dá bom dia ao acordar e assiste minha cara de acabada todas as madrugadas quando vou me deitar. Não me imagino sem nossas tardes de conversa via msn filosofando sobre a vida ou esmiuçando o mais recente caso com o fulano de tal. Ela deixa a vida mais leve porque ignora a distância SP-BH ao me traz sua companhia, ainda que sem petiscos e bebidas - mas isso deixamos para o próximo F5 das invencionices virtuais. Beijos!

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