quarta-feira, 29 de setembro de 2010

QUE NÃO FALTE AMOR NEM DINÂMICA >> Carla Dias >>

Estamos acostumados, nos dias de hoje, a pensar a palavra DINÂMICA, principalmente no meio corporativo. Quem já não ouviu falar naquela “dinâmica de grupo”? São muitos os que já participaram de tais eventos, e um tanto de outros que fazem de tudo para fugir deles.

Também é comum ouvirmos/dizermos frases como “eles têm uma boa dinâmica”.

O Aurélio reza que dinâmica significa “Parte da mecânica que estuda o movimento dos corpos, relacionando-os às forças que o produzem. [Cf. cinemática e estática (1).]” A Psicologia, por sua vez, vem pensando a dinâmica como uma forma de identificar e resolver conflitos entre as pessoas. Essa definição não está no Aurélio, mas certamente tem muito mais a ver com a segunda definição oficial da palavra: “Mús. Graduação dos níveis de intensidade dos sons, durante a execução de um trecho musical, por meio de nuanças que vão do fortíssimo ao pianíssimo, quer em progressão mais ou menos lenta, quer em oposição brusca.”

A dinâmica musical, revestida com a liberdade poética que roubamos das emoções, o tempo todo, pode traduzir, quase que (des)cientificamente, a relação emocional entre os seres humanos. Na música, a dinâmica é uma deusa, capaz de promover o milagre de alicerçar uma composição, dedicando à execução da mesma a beleza necessária para colocar em sintonia o que, em qualquer outro fazer, seria impossível. Não se trata de intercalar rudeza com sutileza, bem com mal, de equilíbrio ou simetria, mas sim de criar essas pontes indeléveis que nos levam da excitação ao amansamento sem deixar a sensação de termos mudado de planeta ou de identidade.

Uma pessoa sem dinâmica pode ser triste ou feliz, mas jamais triste quando há tristeza e feliz quando há felicidade. Ela tende a se comportar como falastrona ou, então, calar-se completamente, mas não manter uma conversa na qual a paixão por determinado assunto aflore, alterando as nuanças da voz e dos seus gestos, ou mesmo silenciar para ouvir o que o outro tem a dizer, por curiosidade, apreço, que seja!

Gosto de pensar que dinâmica de grupo é como o que acontece em Across the Universe, filme com composições dos Beatles.



Quando alguém diz que uma música é capaz de contar parte de sua história, eu compreendo. As nuanças dessa obra cria a textura da nossa biografia. Pensamos que, ao sentir tal emoção, certamente escutaríamos aquele trecho da música, quando tudo parece tão sutil, calmo, e então vem o desfecho, muito mais avassalador. A dinâmica, nessa percepção, é mais do que necessária. Ela é todos os verbos utilizados para contar essa história. É ela que define com que força e com que sutileza lidaremos com os nossos sentimentos.

Como você quer viver a sua vida e contar a sua história? Qual é a sua dinâmica? Qual é a sua canção?








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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, dinâmico é o seu texto. Interessante é que ontem eu tinha ouvido/visto uma música cuja principal característica é essa dinâmica: http://youtu.be/WpuUo1ZtmBs

albir disse...

Pois é, Carla, não consigo perceber a minha vida sem trilha sonora.

Carla Dias disse...

Eduardo... Lindo o vídeo! Não conhecia. Obrigada por me apresentar.
E ouvindo uma música dessa não lhe parece estar caminhando por túneis, balançando em árvores, tilintando taças? Não é uma história de vida, mas sem corpo? Apenas som...

Albir... Uma vez me disseram que havia uma pessoa que odiava música. Até hoje eu não consigo acreditar. Uma vida sem trilha sonora?

Eduardo Loureiro Jr. disse...

É por aí, Carla... leveza em movimento.