terça-feira, 27 de julho de 2010

FÉRIAS EM FAMÍLIA >> Clara Braga

Crianças são seres engraçados e peculiares. Eu adoro criança, acho engraçado como cada uma tem seus medos bobos, sua forma de chamar a atenção, suas birras, etc. Eu fui uma criança chatinha. Não que eu lembre da minha infância toda, mas a minha família faz questão de não me deixar esquecer.

Normalmente as famílias, quando se reúnem, lembram nostalgicamente o quão lindos eram os netos e filhos quando eram pequenos, contam história engraçadas e se divertem. Se eu disser que minha família não faz isso eu estaria mentindo, ela até faz, mas só até chegar a hora de lembrar da minha infância. Ninguém tem pudor, eles não medem palavras pra dizer o tanto de escândalo que eu fiz, o quanto eu nunca precisei de motivos pra começar a chorar como se o mundo estivesse acabando, o quanto eles tinham certeza de que eu nunca na vida teria amigos e assim por diante.

Recentemente, em uma dessas reuniões, eu fui apresentada a uma história nova da minha infância. Enquanto lembrávamos saudosamente do meu falecido avô, minha prima solta o nada amigável comentário: "Não sei como sou sua amiga até hoje, você é culpada pela única bronca que eu levei do nosso avô!"

Esse tipo de comentário já nem me surpreende mais, mas confesso que fiquei curiosa pra saber o motivo da bronca. Em um estilo bem dramático, típico de novelas mexicanas, ela me contou que em uma das férias que passávamos juntos no Rio de Janeiro, ela estava conversando com meu irmão sobre os ossos do corpo humano, quando teve a infelicidade de dizer: "Por exemplo, todo mundo tem fêmur, não é Clara? Você tem um fêmur!" 

Eu, que estava por perto sem a menor pretenção de participar dessa conversa chata, que nem entender eu conseguia, fui incluída no assunto da pior forma possível! O que diabos no mundo é um fêmur? É o sucessor do bicho-papão ou do boi da cara preta? Não tive dúvidas, fui correndo e chorando (como em todas as histórias da minha infância) contar pro meu avô que minha prima estava me acusando de ter um fêmur sem eu ter feito nada! Não deu outra, meu avô deu uma bronca nela, afinal, ela é a mais velha, tinha que tomar conta de mim e não ficar me assuntando com essas palavras que parecem que vão te engolir!

Fico triste em ver que ela se chateou tanto com essa situação, mas pra falar a verdade, se eu fosse meu avô, não teria brigado com ela por ter me assustado, brigaria com ela por estar passando férias no Rio de Janeiro e ficar falando de ossos. Se fosse hoje em dia, eu até entendo, afinal esse assunto está mesmo bombando por lá, mas há mais de 10 anos? Qual era a intenção dela? Ser ortopedista? Perita do IML? Devo dizer, a bronca foi muito bem dada. É isso, vovô, mandou bem!




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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Boa, Clara! E, afinal, você tem ou não tem um fêmur? :)

Clara Braga disse...

Não é que eu acabei descobrindo que tenho! hahah!Que coisa... essa vida é mesmo cheia de surpresas! haha!