sábado, 11 de fevereiro de 2012

FRACASSOS, ERROS, AMOR... [Debora Bottcher]

"O amor precisa de sorte! Para que o encontro no tempo seja convergente..." (Danielle Aranda)

Andei pensando sobre fracasso. É que, percebo, diariamente a gente acaba por conviver com ele - especialmente quando esquecemos que a vida tem um estranho poder de transformar nossas necessidades e a faculdade natural de mudar a aparência das coisas. Vou constatando que nada é o que parece ser e que é no oculto de tudo que a verdade se esconde.

Há algum tempo, prometi a mim mesma que cometeria apenas erros verdadeiros. Erros verdadeiros são falhas genuínas, escolhas que, examinando o passado com o conhecimento de agora, admitimos não terem sido as melhores. Não que eu não tenha cometido muitos erros verdadeiros antes desse pensamento: eu cometi erros demais. Mas é mais fácil conviver com os erros praticados por inexperiência ou falta de informação, do que com os que se comete tentando rever os julgamentos iniciais.

Não é raro vermos um erro surgindo e nos colocarmos contra nós mesmos. Talvez nos falte coragem para agir sempre de acordo com nossa intuição, ou quem sabe se, eventualmente, nossos fantasmas não nos deixam ver o que, muitas vezes, está exposto, sem qualquer sombra. Intuições podem falhar, claro - nem sempre estamos tão abertos às vozes do coração. Mas o que estou tentando dizer é que tomar uma decisão errada agindo segundo uma vaga intuição, é um erro verdadeiro, com o qual se pode conviver mais facilmente. Deixar de agir de acordo com o que se sabe, da melhor maneira que se pode, é que é difícil de engolir...

Algumas pessoas estão todo o tempo negando o fracasso - que acontece, a meu ver, cotidianamente. O problema é que ao negarmos nossos erros, nos tolhemos de aprendizado. É difícil lidar com nosso ego perfeccionista - é nossa vaidade: detestamos parecer estúpidos.

Ao longo da brevidade da minha vida, percebi que alguns erros - meus ou alheios - desencadearam em acontecimentos felizes. Nem sempre (como é de se esperar) essa magia impera, mas acontece. E nessas ocasiões eu penso que se o Divino - como cada um O entenda - interfere em nossas vidas com algum objetivo, independe de nossas escolhas - boas ou más -, agindo através delas.

Fato é que não é possível viver plenamente e evitar desacertos. Podemos minimizar a dor da exposição de nossas falhas, limitando nossas vidas ao que já conhecemos. Mas não devíamos esquecer que admitir nossas imperfeições significa, em primeiro lugar, reconhecer onde ferimos os outros ou a nós mesmos - e reparar esses danos sempre que possível. Não é fácil trabalhar com essa responsabilidade sem nos sentirmos envergonhados e culpados, mas nosso fracasso em aceitar e entender as restrições pessoais pode nos levar a erros ainda maiores.

Temos medo de que nossos erros nos impeçam de sermos amados. Mas o amor não se conquista. O modo como tratamos os outros naturalmente afeta nossos relacionamentos, mas o amor é maior do que o que fazemos. Já sabemos: devemos amar as pessoas pelo que elas são, e nunca porque nos conquistam com suas atitudes - e é assim que devemos esperar sermos amados. Isso não é uma licença para tratarmos mal a quem nos ama, mas ajuda a nos livrar da exaustiva rotina de agradar os outros, tentando ser o que achamos que eles querem que sejamos, numa tentativa de merecer o seu amor.

O erro com que tenho mais dificuldade de conviver é o que cometi por não ter tido coragem de deixar o amor me levar aonde ele queria. E esse erro não pode ser corrigido. Ele exige que eu me submeta ao que é maior do que eu, que me disponha a ir adiante - onde tenho medo de errar. Muitas vezes, a vontade de se livrar de algumas coisas não basta. Então concluo que precisarei ser amada com os meus erros porque, infelizmente, apesar da minha disposição e desejo, ainda não aprendi de perfeição...


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4 comentários:

Laísa Duarte disse...

Moça,ótima crônica.Leitura tranquila,chamativa e com forte argumentação.Parabéns!Curti muito mesmo,me prendeu até o ponto final!
:-)

Vicente Lima disse...

Querida Débora,
Dizer simplesmente que sua crônica foi excelente, ótima ou até massa, seria como falar a um pássaro que ele sabe voar. Mas ela foi para mim como a chave para meus grilhões.
Já faz certo tempo que venho buscando a respostas para meus erros, onde tentei justificá-los ou jogá-los em outro outrem, porém, comecei a crer que para combatê-los é preciso os entender primeiro. Chegando ao ápice do meu devaneio, conclui que a raiz da minha falha, foi não seguir meu coração e deixa que a minha fútil intuição - de um garoto inexperiente de 16 anos - superassem meu verdadeiro desejo. Chegando nessa conclusão me veio outra dúvida, "Será que estou pensando certo?", e ai veio a sua crônica, como a luz no final do túnel, me mostrando que estou no caminho da razão.
Meus sinceros agradecimentos por sue texto de origem divina.

Analu disse...

OI Dé,
como sempre pertinente em suas colocações e naturalmente, traz boas e necessárias reflexões. O penúltimo parágrafo trata exatamente da maneira como penso e você resumiu essa ideia magistralmente. beijos e obrigada por suas sempre sábias palavras!
Analu

Debora Bottcher disse...

Queridos,
Eu é que agradeço pelo privilégio do tempo e leitura que me conferem. Sem isso, seria inútil escrever, afinal.
Vicente, fico feliz que minhas percepções tenham clareado um pouco seu caminho. Vc ainda é muito jovem... Muitas outras descobertas o aguardam! Seja como for, lembre-se que ser feliz é o que importa e, sempre que possível, mantenha a leveza: ela será sempre útil ao longo da caminhada...
Beijo em todos.