Pular para o conteúdo principal

DEEM UMA CHANCE AOS LIVROS
>> Clara Braga

Lá estava eu, lendo as crônicas que gosto de ler, quando me deparei com uma que falava muito bem a respeito do livro Precisamos falar sobre o Kevin.

Fui pesquisar sobre esse livro de que eu nunca tinha ouvido falar antes, a tal crônica realmente me deixou curiosa. Pareceu-me um livro interessante. Procurei em uma livraria, não tinham o livro. Um tempo depois, procurei em outra livraria, mais uma vez não tinham o livro.

Bom, com tantos outros livros bons para se ler nesse mundo, resolvi desistir desse tal de Kevin, até parecia que ele estava se fazendo de difícil pra mim.

Alguns dias depois, fui dar uma olhada em alguns filmes que iam estrear para já fazer minha listinha de filmes para assistir antes da entrega do Oscar. Sim, eu sou esse tipo de pessoa que tenta assistir à maioria dos filmes que estão concorrendo à premiação, para não ficar de fora, mas quando chega o dia de ver durmo igual pedra, nunca consegui assistir a uma premiação até o final. Mas isso não vem ao caso, a questão é que, dentre os filmes que iriam estrear, lá estava o Kevin.

Isso só aguçou mais ainda minha curiosidade. Não era possível, isso só podia ser um sinal. Lá fui eu atrás do livro novamente, até porque eu não gosto de ver o filme antes de ler o livro, acho que a surpresa é sempre maior lendo o livro, afinal, você leva alguns dias lendo, se questionando sobre o que vai acontecer depois, criando hipóteses, se surpreendendo a cada página. Já no filme não, todo esse processo de criar hipóteses, de se envolver no filme e de se surpreender com a resolução das coisas acontece naquelas aproximadas duas horas que o filme tem e pronto, acabou, hora de ir para casa.

Para minha surpresa, na minha terceira tentativa, lá estava o livro. Finalmente! Comecei a ler, superempolgada e... não gostei. Achei tudo muito doido, não é possível que fosse daquele jeito... Passei da metade do livro achando que a qualquer momento iria acontecer alguma coisa que iria mudar tudo e eu iria ficar vidrada no livro, mas até então nada.

Resolvi então fazer uma coisa que eu nunca havia feito antes, assistir o filme sem terminar o livro. E hoje estou aqui para pedir a vocês que não cometam o mesmo erro que eu. Que arrependimento! O livro realmente iria dar a volta por cima e me surpreender, mas eu não dei a ele a chance de fazer isso... Não desistam de livros que todos elogiam, eles sempre podem te surpreender nem que seja na última página.

Comentários

Li o livro já há mais de ano, depois de ver uma entrevista da autora na FLIP... É mesmo doloroso, triste, cruel, enfim, um monte de coisas, mas valeu. Vamos ver se vejo o filme. Ao contrário de você, eu só vejo os filmes quando passam no telecine :)
Eu devorei o livro e gostei muito do filme. Acho que a Tilda Swinton (é assim que escreve?) arrasou. Mas é questão de química mesmo. Já tive livros excelentes na minha mão... que no início não bateram. Acontece. Tipo "o cara certo na hora errada"... rs. Não se culpe. E mesmo assim, acho que vale dar uma segunda chance à leitura - mesmo que ela venha acompanhada de outros rostos pros seus personagens imaginados.

bjs!
Anônimo disse…
gente encontrei um rapaz lá do Maranhão que escreve algumas cronica muito legais, nesse blog www.folhadipapel.blogspot.com muito promissor esse guri!

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …