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RECADINHO DA VIDA>> Clara Braga

Esses dias recebi a ligação de uma grande amiga minha. Ela estava supercontente com uma certa novidade que tinha para me contar, e tinha certeza de que essa novidade também me deixaria feliz.

Papo vai, papo vem, suspense devidamente feito, exatamente como tem que ser, e ela jogou a bomba! Está grávida, e começou a gritar igual às amigas da Rachel em Friends, sempre que alguém conta uma novidade legal!

Eu não sou muito desse tipo que grita e dá pequenos pulinhos quando vai comemorar algo, mas fiquei muito feliz por ela! E foi exatamente o fato de eu ficar feliz que me fez perceber que o tempo passa...

Essa foi a primeira vez em 23 anos de vida que alguma amiga minha me contou que estava grávida e a minha resposta não foi: “E agora, o que você vai fazer?”. Ou então: “Seus pais já sabem? Eles vão te matar?”

Foi um tanto engraçado reparar nesse detalhe, mas confesso que fiquei me sentindo um pouco velha. Sei que sou muito nova, 23 anos, ainda não vivi nada, mas quando esse tipo de situação acontece a gente acaba percebendo que o tempo passa mais rápido do que a gente imagina e então começamos a nos sentir assim, um misto de velhice precoce com uma certa nostalgia, deu pra entender?

Somos pegos de surpresa, meus amigos mais próximos já estão casando e tendo filhos, e então a gente começa a se perguntar: Como foi mesmo que eu cheguei até aqui? E foi ao rodar o filme da minha vida na minha cabeça que eu percebi que a vida nem tem tanta culpa assim de passar rápido desse jeito, afinal ela vem nos preparando aos poucos, nós é que não acompanhamos a sutileza dela.

Lembrei de pequenos momentos que marcam novas fases e me toquei de que eles significam um recadinho da vida para a gente, dizendo: Ei, você está crescendo, consegue perceber? Aproveite! O tempo voa!

Consegui ver a vida me alertando do passar do tempo naquele dia do meu aniversário em que eu cortei minha chupeta na frente de todos os convidados para mostrar que eu já era grandinha o bastante para não chupar chupeta. Mas ninguém precisa saber que minha mãe tinha sempre chupetas reservas para minhas crises de abstinência.

A vida também mandou seu recadinho quando brincar de Barbie não era mais legal do que andar de patins na rua com as amigas. Quando alguns amigos se afastaram porque foram fazer o ensino fundamental em outra escola, quando começaram as festas de 15 anos, quando alguns romances começaram a aparecer, quando chegou a formatura do ensino médio, nos festões de 18 anos, nas aulas para tirar carteira de motorista, no cursinho pré-vestibular, na faculdade, na primeira vez em que os pais liberam o carro, nas decepções, nas dúvidas, no momento em que alguém próximo se vai e agora, pelo menos na minha fase, nos casamentos e nas amigas grávidas.

Sei que ainda tem muito por vir, posso ver pelos meus pais que a cada aniversário meu e do meu irmão dizem: “É, vocês já tem 23 e 26 anos, nós estamos velhos mesmo!” Mas agora que sei que a vida está sempre no pé do nosso ouvido deixando o recadinho dela, vou prestar mais atenção para não deixar nada passar em branco.

Comentários

É, Clara, como diz a canção: "É preciso estar atento e forte". :)
Debora Bottcher disse…
Sempre atento e forte, Eduardo e Clara... vejam vcs: ainda 'ontem' eu tinha 23 anos! :))) Beijo.

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