terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O PODER DAS PALAVRAS >> Clara Braga

Poucas palavras para muito significado, era assim que às vezes eu me sentia em relação a nossa querida língua portuguesa. Não que ela tenha poucas palavras, porque de fato ela não tem, mas vocês já tiveram a impressão de que às vezes não basta, durante uma conversa, falar as palavras em suas devidas posições para a frase fazer sentido? Às vezes temos que explicar o que aquela palavra significa dentro daquele exato contexto para não haver confusão.

E isso é porque eu estou falando de conversas cara a cara, aquelas que estão se tornando cada vez mais raras, onde as pessoas se encontram, olham umas nos olhos das outras e realmente conversam. Imaginem se formos pensar nas conversas pelos talks da vida, aí sim o problema fica grande, você não vê o rosto da pessoa, não escuta o tom de voz e então pode acabar achando que ela está brigando com você enquanto ela está apenas contando uma piada.

Mas na verdade, pensando bem no assunto, o menor dos problemas é quando alguém diz que gosta muito de salmão, por exemplo, e esquece que para uns salmão é aquele peixe delicioso, principalmente quando está cru, e para outros é aquela cor um pouquinho sem graça. O problema real é quando a gente distorce o sentido da palavra e acaba complicando a nossa vida toda.

Você deve estar achando isso um pouco doido demai,s né? Eu também achei quando comecei a pensar sobre essa crônica, mas vou dar uns dois exemplos para ver se essa história de palavras com sentido distorcido que complicam nossa vida passa a fazer um pouco mais de sentido.

Uma palavra que me intriga muito é a tal da "liberdade". Por que temos sempre que entender a liberdade como algo infinito, algo que nos permita ser tão egoístas que possamos fazer exatamente o que quisermos sem nunca passar pelas consequências dos nossos atos? O motivo de escutarmos sempre que liberdade não existe é exatamente esse conceito totalmente abstrato que inventamos, e complicamos tudo. Se pudéssemos simplesmente aceitar que liberdade nada mais é do que algo finito, que acaba quando a do próximo começa, e que se de alguma forma nós passarmos por cima da liberdade do outro nós vamos ter consequências que muitas vezes não são legais, tudo seria mais fácil.

Outra palavra que complica tudo é a palavra "certa" quando aplicada na seguinte frase: “Quero achar a pessoa certa”. E então tudo que ouvimos é que a pessoa certa não existe. Enquanto entendermos como certa uma pessoa perfeita, que nunca erra, que não tem defeitos nem nada, então realmente a pessoa certa não existe, porque certo no nosso mundinho é ser errado. Todos somos certos se estamos dispostos a aprender com nossos erros, e encontramos a tal pessoa certa quando ela também está disposta a aprender junto com a gente.

Pronto, as coisas podem ser mais simples, basta não complicar o significado delas, liberdade existe e a pessoa certa, amigos, podem acreditar, vai aparecer!

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6 comentários:

Anônimo disse...

Recebi esta sugestão de crônica de alguém que já foi especial um dia,.. só não é mais,.. pq não leu esta crônica antes.

Sobretudo ao que dizes sobre a Liberdade, é algo tão desconhecido que tanto se deseja, e quando se tem, não se compreende,.. agora chora e diz, FAZ SENTIDO.

EU ME PERGUNTO, QUE CULPA EU TENHO, ...

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, até deu vontade de sair com você por aí feito dicionário, debaixo do braço, pra você esclarecer algumas palavrinhas delicadas sempre que necessário: que tal uma segunda crônica de continuação com as palavras "amor" e "felicidade"? :)

Clara Braga disse...

Opá!
adoro sugestões! Vou acatar Eduardo, tentarei fazer a continuação, apesar de que amor é difícil neh!? hahahah!

ADRYANA GONZAGA disse...

Concordo com vc, outra palavra que as pessoas deixam muito em abstrato é "felicidade", sempre se diz eu quero ser feliz e nunca eu sou feliz. Entretanto a felicidade é possivel e simples basta coloca-la concretamete na prática do dia-dia. bjs!

Gostaria de ser sua amiga!

Giovanna G. disse...

Gostei muito da crônica, meus parabéns. Só fiquei com uma pequena dúvida que tive ao ver um comentário seu e do Eduardo, mas não é referente à crônica. Clara, você é portuguesa ou brasileira? Desculpe a indiscrição. ( tenho 15 anos, e sou brasileira rs).

Clara Braga disse...

Oi Giovanna, então, não é indiscrição nenhuma não. Eu sou brasileira. bj