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VEM CÁ, LUIZA... >> Carla Dias >>

São recorrentes os comentários de amigas, primas e irmãs sobre como elas se assombram com os seus filhos. É um assombro que não assombra, assombra e que não mete medo de medo, medo, mas medo de quem não tem a menor ideia de aonde o que o assombra levará o seu pimpolho.

Anteontem, uma amiga me contou sobre a decisão de sua filha em começar a escrever um livro. Ciente de que as mães tendem a puxar a sardinha para as crias das suas crias, e de que ela estava toda encantada com isso, minha amiga perguntou se eu leria o que a filha começou a escrever e diria o que achava. Na minha cabeça, a minha amiga estava tão feliz com a iniciativa da filha que queria ter certeza de que não estava exagerando.

Minha amiga disse que me encaminharia a mensagem de e-mail na qual a filha mandou o arquivo com suas primeiras 4 páginas + o título do próximo capítulo, porque eu precisava começar a leitura a partir desta mensagem. Ao recebê-la, percebi por quê.

Eu sei que ando abusando do uso da palavra “fofo”, principalmente porque ela nunca fez parte do meu vocabulário, até ultimamente. Mas o que dizer ao ler uma mensagem como a da filha da minha amiga? Fofa! Ela começa assumindo que há erros, então pede à mãe que os corrija. Depois informa – fofamente - que a história é contada na primeira pessoa! Ainda deixa bem claro, com um belo, “olha lá viu” que a mãe não deve fazer correções que alterem os “fatos que estão legais”.

O que há de bacana em uma criança de nove anos de idade que começa a escrever uma história, é que ela se importa muito em deixar bem claro como ela sente suas histórias. A Luiza, logo na dedicatória, encantou-me profundamente, porque é a primeira vez que vejo uma dedicatória aos pesadelos do autor, à sua imaginação, e somente então, aos que o aconselharam a seguir nessa jornada.

Meu sobrinho, Lucas, hoje com dezessete anos, escreveu um conto, quando era menino de tudo, e a partir dali compreendi a beleza do olhar literário de uma criança. Ele construiu uma história sobre a vida dos eletrodomésticos, especialmente a geladeira. Começava assim: “à noite, quando as pessoas dormem, acontece uma maravilha: os eletrodomésticos acordam e começa a festa.”

Para a mãe da Luiza, a Silvia, só posso dizer, e sem exageros, que a fofa da filha dela é muito talentosa. Eu estou na fila para ler o próximo capítulo do livro!

Não vou contar sobre o que se trata o livro da Luiza, porque, tenho certeza, muitos de vocês ainda o comprarão para ler para os seus filhos. Mas adianto que a autora é inspirada, e que é uma história de mistério, sobre um menino que se levanta para beber água, todos os dias, à uma da madrugada, porque ele faz isso “toda noite uma da manhã em ponto literalmente em ponto nem depois nem antes”.

Entendido?

carladias.com

Comentários

Carla,
Que maravilha uma nova geração de escritores! E torço para que a Luiza tenha a mesma inspiração que você!
Bjs
fernanda disse…
Gente, que FOFA! Fiquei muito curiosa pra ler a história da Luiza!
Carla Dias disse…
Marisa... Torço para que a Luiza se mebrenhe nesse universo da literatura. Pelo pouco que li, e apesar daqueles errinhos de menina de 9 anos, ela tem uma linguagem muito bacana.

Fernanda... Ela é fofa e linda!Pode deixar que quando ela terminar e a mã erevisar, vou tentar conseguir uma leitura básica pra nós.

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