quarta-feira, 26 de outubro de 2011

VEM CÁ, LUIZA... >> Carla Dias >>

São recorrentes os comentários de amigas, primas e irmãs sobre como elas se assombram com os seus filhos. É um assombro que não assombra, assombra e que não mete medo de medo, medo, mas medo de quem não tem a menor ideia de aonde o que o assombra levará o seu pimpolho.

Anteontem, uma amiga me contou sobre a decisão de sua filha em começar a escrever um livro. Ciente de que as mães tendem a puxar a sardinha para as crias das suas crias, e de que ela estava toda encantada com isso, minha amiga perguntou se eu leria o que a filha começou a escrever e diria o que achava. Na minha cabeça, a minha amiga estava tão feliz com a iniciativa da filha que queria ter certeza de que não estava exagerando.

Minha amiga disse que me encaminharia a mensagem de e-mail na qual a filha mandou o arquivo com suas primeiras 4 páginas + o título do próximo capítulo, porque eu precisava começar a leitura a partir desta mensagem. Ao recebê-la, percebi por quê.

Eu sei que ando abusando do uso da palavra “fofo”, principalmente porque ela nunca fez parte do meu vocabulário, até ultimamente. Mas o que dizer ao ler uma mensagem como a da filha da minha amiga? Fofa! Ela começa assumindo que há erros, então pede à mãe que os corrija. Depois informa – fofamente - que a história é contada na primeira pessoa! Ainda deixa bem claro, com um belo, “olha lá viu” que a mãe não deve fazer correções que alterem os “fatos que estão legais”.

O que há de bacana em uma criança de nove anos de idade que começa a escrever uma história, é que ela se importa muito em deixar bem claro como ela sente suas histórias. A Luiza, logo na dedicatória, encantou-me profundamente, porque é a primeira vez que vejo uma dedicatória aos pesadelos do autor, à sua imaginação, e somente então, aos que o aconselharam a seguir nessa jornada.

Meu sobrinho, Lucas, hoje com dezessete anos, escreveu um conto, quando era menino de tudo, e a partir dali compreendi a beleza do olhar literário de uma criança. Ele construiu uma história sobre a vida dos eletrodomésticos, especialmente a geladeira. Começava assim: “à noite, quando as pessoas dormem, acontece uma maravilha: os eletrodomésticos acordam e começa a festa.”

Para a mãe da Luiza, a Silvia, só posso dizer, e sem exageros, que a fofa da filha dela é muito talentosa. Eu estou na fila para ler o próximo capítulo do livro!

Não vou contar sobre o que se trata o livro da Luiza, porque, tenho certeza, muitos de vocês ainda o comprarão para ler para os seus filhos. Mas adianto que a autora é inspirada, e que é uma história de mistério, sobre um menino que se levanta para beber água, todos os dias, à uma da madrugada, porque ele faz isso “toda noite uma da manhã em ponto literalmente em ponto nem depois nem antes”.

Entendido?

carladias.com



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3 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Carla,
Que maravilha uma nova geração de escritores! E torço para que a Luiza tenha a mesma inspiração que você!
Bjs

fernanda disse...

Gente, que FOFA! Fiquei muito curiosa pra ler a história da Luiza!

Carla Dias disse...

Marisa... Torço para que a Luiza se mebrenhe nesse universo da literatura. Pelo pouco que li, e apesar daqueles errinhos de menina de 9 anos, ela tem uma linguagem muito bacana.

Fernanda... Ela é fofa e linda!Pode deixar que quando ela terminar e a mã erevisar, vou tentar conseguir uma leitura básica pra nós.