quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MAL ACOSTUMADOS >> Fernanda Pinho

Um menino de dois anos, que nunca havia cortado os cabelos, caiu em prantos ao se desfazer de suas madeixas. Chorão como o pai, que também não conteve as lágrimas ao passar a tesoura pela primeira vez, em 1965. Uma historinha corriqueira, que poderia ter acontecido na minha casa (se aqui tivesse um menino de dois anos) ou em qualquer outra casa do mundo (onde tem meninos de dois anos). Todos os dias alguém corta o cabelo. Todos os dias alguém chora de insatisfação por causa de um corte de cabelo. Todos os dias tem um bobo pra dizer: "Ah, chorão que nem o pai".
E foi exatamente a banalidade do fato que me incomodou. Por que diabos uma notícia danada de besta como essa saiu lá da Austrália, atravessou o planeta, teve repercussão mundial e veio saltitando como um canguru até parar na capa do maior portal de notícias do Brasil? Passei quatro anos numa faculdade de jornalismo estudando linha editorial, critérios de noticiabilidade e o escambau, e agora me vêm com essa? O professor Eustáquio, se bem me lembro, era muito enfático ao dizer: "Se um cachorro mordeu um homem, não é notícia. Dê a notícia se o homem morder um cachorro".
Mas isso é muito mais trivial que mordida de cachorro (sim, porque eu, pelo menos, já cortei meu cabelo várias vezes na vida, mas nunca fui mordida por um cachorro). Até li de novo pra ver se eu estava entendendo direito, se não tinha nada de sobrenatural do tipo os cachinhos de ouro do menino serem feitos, sei lá, de ouro mesmo.
Mas não. A notícia era aquela, simples e direta: corte de cabelo. Como se não houvesse corrupção em Brasília, conflitos no Oriente Médio e segunda divisão em Minas Gerais, o ex-cabeludo chorão ganhava destaque nos noticiários. Chorão, porém lindo. De tanto olhar para a foto, me afeiçoei ao garotinho. Ele não me incomodava. E, pensando mais um pouco, a notícia também não.
O que me incomodou foi o meu incômodo. Que espécie de monstro é essa que eu me tornei, que acha supernormal se deparar com notícias de alunos atirando em professores, restaurantes explodindo e casas sendo derrubadas em enchentes, mas fica assustada se vê o noticiário estampado com um rostinho lindo? O que me consola é pensar que talvez eu ainda tenha conserto. Essa notícia — corriqueira, sim — disparou um alarme. Aquele que me lembra que não devo me acostumar, muito menos aceitar, a tragédia. Que ainda existem motivos para acreditar que cortes de cabelo, chegada de circo em cidade do interior e concurso do bolo de aniversário mais bonito também podem ser notícias de jornal. 



Partilhar

3 comentários:

Carla Dias disse...

Fernanda... Concordo que precisamos ver que banalidades também são necessárias, para equilibrar as coisas. Sem contar que, para o menino, o mundo deve ter caído. A banalidade foi séria para ele. Mas sabe no que não paro de pensar? Por que deixaram a pobre da criança com aquela cabeleira toda? Lindo, certamente, mas era cabelo demais, era não? Minha mãe já teria ela mesma passado a tesoura.

JOSÉ VENUTO DOS SANTOS disse...

POIS É A CERTAS BANALIDADES QUE NOS AJUDA A REFLETIR.... OUVIR E PREVENIR

Um homem de uma classe social e um poder aquisitivo privilegiado, morava com sua esposa em uma casa grande e confortável, porém ele não suportava aquele lugar e vivia tomando conselho dos seus amigos. Ele se queixava de que seu bairro era cheio de crianças e velhos, nas noites de lua clara essas pessoas sentavam em suas calçadas, cantando, contado piadas e se divertindo até altas horas, ele queria se mudar daquele lugar para ter mais sossego com a sua esposa.
Um dia ouviu o conselho do amigo que lhe dizia para ele trocar sua casa por um sitio no interior do estado, pois no campo ele teria uma vida mais tranquila e estaria mais longe do agito das pessoas indesejadas.
Um de seus amigos o levou em um sitio, ele logo se apaixonou pelo lugar, sem mesmo levar sua esposa para dar sua opinião, mulher que bem submissa que a tudo entregava às mãos de DEUS, e, ele sem muito pensar concretizou a negociação, sendo ele o novo dono de um pequeno palacete por entre árvores, rochedos, riachos e muitos pássaros.
Logo ele se mudou, passou a receber a visita de seus amigos da cidade, todos adoraram o lugar, também pudera, banho de cachoeira, passeios em meio à natureza.
Mas logo o homem começou a se encher das visitas dos amigos, pouco tempo depois começava a se queixar novamente, sua esposa dizia que estava adorando o lugar, afinal tudo ali alem de muito confortável e luxuoso.
Outra vez consultou a um amigo, e, este o levou num lugar ainda mais lindo, era um vale, coberto de grama bem verde, muitas flores, ao Ives de um riacho, um enorme rio corria bem perto dali, encantado com o local ele imediatamente quis comprá-lo e outra vez sem consultar sua mulher.
Depois de já instalado naquele paraíso, ele passou a ter sonhos, em seus sonhos ele via o rio transbordar e inundar por completo seu paraíso, ele nunca havia contado seu sonho para sua esposa, mas um dia ela acordou assustada e contou ao marido um pesadelo que acabara de ter, disse ao marido que estava em uma capela rezando, quando de repente em meio a um feixe de luz muito forte, aparece à imagem de alguém vestido de branco, muito radiante, não dava para identificar quem era, mas suas palavras eram claras, e assim foram às palavras “O sitio em que você vive com seu marido esta perto de ser inundado e tudo ficará sob as águas do rio que transbordará, sendo assim saia o quanto antes daquele lugar, embora seja lindo, tranqüilo e luxuoso”.
Terminado de contar-lhe seu sonho, o marido mesmo assustado, pois em seu sonho ele viu exatamente o que sua esposa narrou, mesmo assim ele disse a ela que era besteira, nada poderia acontecer, pois os paraísos são para sempre lindos.
Naquele mesmo dia, sua esposa disse que queria ir a cidade onde morava antes para visitar alguns amigos e parentes que a muito tempo não via, seu Mario mandou que fosse, mas que ele não iria e ficaria no sitio, pois enfim estava onde sempre quis estar.
Ela insistiu e ele foi irredutível, não arredou pé, ela triste partiu dizendo que em uma semana voltaria, afinal ela não queria deixá-lo sozinho, por conta do sonho que teve.
Ao cair à tarde, se formou um temporal naquela região e caiu um verdadeiro dilúvio por varias horas, como ele tinha visto em seu sonho, a água começou a invadir sua casa, e, em pouco tempo ficou tudo sob a água.
Tudo que seus amigos o falavam ele tomava como conselho, mas não acreditou nem ouviu quem mais gostava dele, e com todos seus bens, sua vida foi por água abaixo.

Quantas vezes isso acontece conosco, ouvimos as pessoas, mas que realmente a gente nem dá ouvidos.... pense nisto


Autor: Jose Venuto
WWW.VENUTOIMPACTODP.COM.BR

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Eu, como ex-editor do AntaNews, não tenho moral para comentar esse tipo de notícia. :)