segunda-feira, 4 de julho de 2011

A SEGUNDA VEZ DO 9º MÊS >> Kika Coutinho

Então, de novo, estou prestes a ser uma mulher no 9º mês de gestação.

Dessa vez foi diferente, devo admitir.

O tempo passou em um instante. Um único instante e eu já estava aqui, inchada, pesada, com o umbigo pra fora. Foi tão depressa que não tive tempo de escrever. Não refleti tanto, não passei a mão na barriga com tanta frequência, não lambuzei o corpo de creme conforme devido, não comprei calças de gestante, e não li nenhum capítulo de “O que esperar quando está esperando”. Nada.

Eu pisquei os olhos e estou prestes a parir.

Ainda me assusto quando passo perto de um espelho: “Tô grávida mesmo”, repito para mim mesma, em voz baixa. Estou.

E a Olívia, essa minha segunda filha, não terá tantos textos e tantas histórias. Não terá tido a vida intra-uterina sob o efeito da hidroginástica e da drenagem, mas, filha, amo-te já, com a intensidade que não se relaciona com as coisas mundanas.

Talvez essa seja a primeira lição que aprendi com a minha menina: o amor nada tem a ver com a rotina prática. Nada. O amor que dedico a minha filha não tem relação com as vezes em que passo creme ou com as alfaces que engoli em nome da boa saúde dela. Não.

O amor que lhe tenho, filha querida, tem relação com os suspiros de susto e de alegria cada vez que me deparo com o seu chute. O amor que lhe dedico tem relação direta com a imensa gratidão que tenho pela vida toda vez que o ultrassom me mostra as batidas do seu coração.

Tem ligação, sim, o amor, com a felicidade infinita e a alegria incalculável que sinto, sempre, todos os dias, mesmo que eles passem depressa. Todos os dias sinto uma imensurável alegria e gratidão por ter a imensa sorte de ser — olha que coisa — sua mãe. Sua mãe...

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3 comentários:

Anônimo disse...

Kika,

Adorei sua cronica! Sempre penso que quando estava grávida nao tinha esta ligação tão sublime com os filhos como essa que voce que voce nos passa; as vezes penso que falei. mas quando leio um trecho lindo como esse seu, é que vejo que gerei filhos maravilhosos e que você é um deles!

Beijo
da sua mae coruja!

Debora Bottcher disse...

Passou rápido mesmo, não? Mas é como o Raul diz: todos os filhos são um milagre, mas com o primeiro, tudo é um mistério e por isso a atenção se redobra; com o segundo se relaxa mais; a partir do terceiro, vc sabe tão bem como lidar com tudo, que parece se importar menos, mas é só impressão: o milagre e o amor são cada vez mais intensos...
Assim, que venha Olívia, amada, querida, esperada, tanto quanto Sofia o foi - e é. Um segundo milagre, com um pouco mais de experiência - e pé no chão. :)
Super beijo.

fernanda disse...

Nono mês??? Já??? Que benção, Kika!
Tudo de bom pra você, pra Olívia. E que ela ainda nos renda muitas crônicas boas! Beijos!