quinta-feira, 19 de março de 2009

OS PERNILONGOS >> Ana Coutinho

Eles voltaram. E voltaram com tudo. Parece que, a cada ano, ficam mais fortes. Pois eu acho que deveríamos aprender com os pernilongos. Que tipo de treinamento fazem? Como conseguem sobreviver por todas as gerações, enlouquecendo a todas elas, apesar do avanço tecnológico, do aquecimento global, das células tronco?

Os pernilongos surgem como o Natal. Quando a gente vê, já chegou. Mas é ainda pior do que o Natal, porque se pode evitar. Como uma gravidez indesejável, há tantas formas de nos livrarmos dos seus zumbidos infernais, por que meninas cada vez mais novas ainda ficam grávidas? É a mesma coisa. Mesmíssima. É fácil, fácil, fácil, mas não é tão fácil assim, né?

O Protector da tomada, dizem que dá câncer. Já ouviu isso? Não tem comprovação científica, mas, venhamos e convenhamos, não há comprovação científica pra milhares de coisas óbvias, né? Tem a tal raquete, super na moda de uns tempos pra cá. Mas se você compra a chinesa, ela pifa ou acaba a pilha bem naquela noite insuportável. Pronto, é a camisinha que furou... “Mas com tanta informação!”, dirá uma mãe desavisada...

Eu achei outro dia um produto desses, de tomada, que dizia que emitia um ruído que afastava os pernilongos. Nossa, até que enfim, vibrei! Sem câncer, sem picadas, sem zumbido. Pra mim, né, que eles iam sofrer com o tal ruído. Será que o ruído era correspondente ao zumbido infernal que eles fazem em nós? Um gosto doce de vingança invadiu a minha boca.... Hummm, eu deixaria aquele negócio na tomada por toda uma vida, pra eles verem como é bom pra tosse um zumbido fino no ouvido. Mas eles têm ouvido? Fui pesquisar e a minha descoberta foi chocante: só os pernilongos fêmeas que fazem o barulhinho, e elas são afastadas pelo barulho do macho, que era simulado pelo meu aparelhinho milagroso. Não titubeei: Enfiei o troço na tomada com toda a minha força e, já deitada, pensava nas “meninas” correndo e dizendo uma para as outras: “Tá cheio de homens, fujam, fujam, fujam!”. Elas decididamente são diferentes das humanas...

Acontece que não levou 5 minutos até que zzzzzzzzzzz, ai que ódio: “Fia %$&*#!”, levantei e gritei com toda a minha força. Pelo menos eu sabia xingar na concordância certa, era uma fêmea, e o aparelhinho milagroso é uma enorme furada. Praticamente uma pílula de farinha. O ruído dos homens, definitivamente, não afugenta mais ninguém...

Antes de desistir, ainda olhei o spray no armário e pensei em matá-los com duchas de Protector. Grande coisa. Se elas não tinham medo de seus parceiros, aguentariam o veneno... Capaz ainda que eu é que tivesse que sair do quarto por conta do cheiro.

Acabei por desistir. Resignada, parabenizei as “meninas” em voz alta, e fui pra cozinha comer...

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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Maravilha de associação, Ana. Bem que merecia o título de "Sexo e pernilongos". :)

cArLa disse...

Ana, adoro seu senso de humor. Pelo menos "elas" serviram para alguma coisa: um texto ótimo, que ,só quem já perdeu noite de sono por conta "delas", entende. :)

Cristiane disse...

Eles voltaram sim, estão inquietos e mais audaciosos com o aquecimento global. Mas o engraçado que pensei estes dias, é que os daqui de BH não fazem barulho! Lá no Vale do Jequitinhonha eles pareciam que tinham um trio elétrico interno. Eu não dormia de jeito nenhum com aquela "gritaria" que a "mulherada" fazia, mas aqui em BH eles são silenciosos, vai saber porquê... coisa de pernilongo mineiro. A gente só sabe que eles estão por ali quando sentimos as picadas, doloridas picadas. Na Bahia a picada dói mais, chegava a inchar o lugar. Em Salvador, durante o dia, eu passava uma camada de protetor e outra de repelente. À noite dormia toda grudenta de repelente, um inferno! Se esquecesse um pedacinho do pé sem repelente, pronto, acordava sentindo aquela dor terrível. Nem o ventilador acalmava a fúria do pernilongo baiano.

Aqui em casa, usamos aqueles negocinhos de tomada mesmo, nem sabia que dava câncer. E temos, também, velas de citronela. Estas eu deixo no escritório quando estou no computador e eles atacam. Não dá para deixar acesa vela a noite inteira, então, elas servem para quando estamos acordados.

Pior que camisinha furada estes bichinhos.

beijos

Elaine Carvalho disse...

Muito Criativo! Parabéns!