quarta-feira, 4 de março de 2009

EU QUERO UMA JANELA >> Carla Dias >>


“Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tú que estás numa cela
abafada, esse ar que entra por ela."
Mário Quintana


Eu quero uma janela... Sem culpa, sem vergonha, sem métrica, com ousadas esquadrias.

Quero uma janela...

Que é para compreender que a vida não passa só para pirraçar a juventude da gente. E que a felicidade não é abobrinha contada por um alguém que não tem o que fazer, além de nos encher de esperanças vazias e nos observar esgotá-las uma a uma.

Quero a janela para debruçar e esperar o tempo que for, mas que caiba no presente e tenha a habilidade de lapidar o futuro, pois estou atrasada para o passado, meus caros, ele que passou feito assopro que me distraiu até despercebê-lo. E desconhecidos não reconhecem afetos, então, quero a aventura da proximidade.

Quero uma janela...

Sem vidro embaçado, do outro lado da rua, no outro rumo do asfalto, escorregando na ponta da língua na hora do monólogo sobre tal sentimento. Que se abra em sorriso cada vez que me debruçar nela, e que de lá eu veja bem, preste atenção, que seja nossa essa canção: a dos horizontes enquadrados sendo libertados pela brandura das descobertas, como se os cenários tivessem sido derrubados e restasse somente a nudez do encantamento.

Quem não quer uma janela é porque já a tem. Quem espera por ela colhe decepções, mas resiste... Quer uma janela onde anoitecer sem o zumbido da solidão.

Debruce e veja se a deseja:




Eu quero uma janela...


Site: www.carladias.com
Talhe - Blog:
www.talhe.blogspot.com




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7 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, seu texto é tão lindo de ler que relutei um pouco antes de ver o filme com medo de estragar o conjunto. Mas o filme também é muito bonito. Apenas senti falta de mais palavras suas ao final.

Rubia disse...

eu tb quero uma janelaaa!!!
bjo

Anônimo disse...

eu fui direto no filme e amei desde o início. então me alcei até às palavras e lhes descobri a sutileza. parabéns e obrigado!

nadie

Juliêta Barbosa disse...

Carla,

Gosto do seu texto, curto e direto, e nem por isso menos intenso. Parabéns.

Carla Dias disse...

Eduardo... Achei lindo você ter achado meu texto lindo : )
Na verdade, eu resolvi escrever pouco, porque na minha cabeça o texto era quase um conto. Tive de me conter para não torná-lo tão longo que ao chegar ao vídeo a sensação que tive ao vê-lo ficasse distante do leitor.

Rubia... Como já te disse, você é daquelas pessoas que merecem a melhor janela do ônibus, da casa e do coração. Sua janela chegará em breve... Pode acreditar!

Nadie... Eu é que agradeço. Volte sempre!

Juliêta... Gosto que você goste do meu texto, ainda que curto e direto; que virado do avesso de tão intenso.

Anônimo disse...

voltei e andei cheretando outros textos. :-) e voltei a este, e a este filme, ao reler, revendo, outras palavras e pe(n)sares me assolaram. deu vontade de escrever, botar em algum lugar minha intensidade.

minha pergunta é: se eu tivesse um blog podia lhe "roubar" o filme para dele dispor à vontade de meus pe(n)sares?!

nadie

Carla Dias disse...

Nadie... As janelas são nossas! Use e abuse da inspiração que elas lhe provocarem.